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segunda-feira

O Rolê na Maria Fumaça de Campinas

Já tem bastante tempo que eu tinha vontade de fazer o passeio de Maria Fumaça saindo de Campinas, ainda mais com a opção de tomar um café da manhã a bordo do trem a vapor. Esse ano, decidi comemorar meu aniversário curando a minha senhora anterior, matando essa vontade.


Fiz com o meu namorado, o passeio que sai da estação de Anhumas em Campinas e vai até Jaguariúna. Pegamos a opção de passeio com café da manhã no vagão restaurante. Chegando na estação, fomos instruídos a passar na bilheteria pra pegar as pulseirinhas que nos dariam acesso ao vagão certo. Enquanto a gente esperava o horário de embarcar no trem, exploramos um pouco da estação vendo a maquete que fica logo na entrada, os produtinhos que estão a venda, o vagão do maquinista que fica em uma das pontas da plataforma pra gente já admirar e o próprio espaço da estação que tem bastante natureza. Menção honrosa pra gatinha que estava dormindo em um dos bancos.



Um pouco antes do embarque, tinha um grupo com sanfona, pandeiro e surdo, tocando músicas bem populares pra entreter o pessoal e uma pessoa dando informações sobre a história e o funcionamento da Maria Fumaça. O embarque começou às 10h e foi super organizado. No vagão restaurante, encontramos a nossa mesa com uma plaquinha com o meu nome e algumas coisinhas pra já beliscar antes do trem sair.


O café da manhã em si é bem simples, mas bem servido, a gente pode repetir tudo o que quiser. Tem café, leite, suco, achocolatado, lanchinhos, bolachinhas, salgadinhos, etc. No caminho, um guia vai contando curiosidades e fatos históricos sobre a região conforme a gente vai passando pelas fazendas, pontes e rios. E também teve degustação das cachaças que eles vendem, são tantas que a gente até desistiu da degustação no final pra não dar ruim rs.



Chegando em Jaguariúna, a gente faz uma parada de uma hora e meia. O trem já para em frente a um restaurante que fica na estrutura da antiga estação. Tem uma feira pequenininha de artesanato e algumas comidinhas (eu comprei bolo de rolo) e um museusinho com itens que eram utilizados nos trens e estações. Eu adorei o museu, é muito legal pensar como cada coisa ali era utilizada e como era a cultura da época e da região. Depois de passear nesse complexo, aproveitamos o calor pra dividir uma cerveja em uma das mesas do restaurante.



Tanto a chegada quanto a saída de Jaguariúna, nos mostraram que a Maria Fumaça é um acontecimento na cidade. Quem está nas ruas da tchau pra quem está no trem, todo mundo pega o celular pra filmar o trem passando e nós fomos recebidos pelo pessoal que vende seus itens na feirinha, até com plaquinha de boas vindas. A volta foi em um vagão normal de passageiros que já estava decorado pro Natal. A gente prestou atenção pra sentar do lado diferente da ida, pra ver outras coisas. Os músicos que animaram o embarque, também animam a volta tocando em todos os vagões e passando o chapéu pra arrecadar algum dinheiro.


É um passeio muito gostoso! A responsável por toda a estrutura é a ABPF, Associação Brasileira de Preservação Ferroviária que tem equipe voluntária e toda a renda gerada com os passeios, compra de produtos, etc, é revertida à preservação dos trens e estações. É um trabalho muito legal e é muito bacana ver o esforço das pessoas em preservar a história da região, que foi tão afetada pelos trens. A minha única consideração é que achei o café da manhã muito caro, pras opções disponíveis de comida e bebida. Se eu fosse de novo, faria o passeio normal e deixaria pra almoçar em Jaguariúna. Aliás, se soubesse antes o tempo que teríamos em Jaguariúna, também teria pesquisado o que mais tem ao redor da estação pra bater uma perninha. 

Aqui tem o site com todos os detalhes sobre a Associação e as opções de passeios.

quinta-feira

O que aprendi sobre unhas postiças

Eu sempre adorei unhona! Quando era pequena colocava unha postiça pra brincar. Mas quando a gente cresce, fica tonta né? Então, por muitos anos tive vergonha de usar unha postiça, achava que ia ficar muito artificial, que iam reparar e achar feio, etc.

Mas, no final de 2022, algo mudou e eu decidi testar usar uma unha postiça de novo. E foi muito divertido! Não sei explicar direito o que faz com que essa experiência seja algo divertido pra mim. Acho que eu me sinto estilosa, bonita, não sei. Mas desde então, o uso de unhas postiças virou algo mais frequente na minha vida, eu aprendi várias coisas sobre elas e fiquei com vontade de compartilhar, então bora.

Comprimento
Acho que a primeira coisa, e talvez a mais importante pra se atentar é ao comprimento da unha. A maior parte das que eu usei, eu comprei na Shein e, na descrição do produto tem o comprimento. Ao longo do tempo fui testando e descobri que o tamanho máximo que eu gosto de usar e não me impede de fazer tarefas do dia a dia, como lavar uma louça, é 18 milímetros (olhando pro tamanho da maior unha do conjunto). Se eu compro uma de 23 milímetros eu já sei que vou usar durante uma festa e vou tirar assim que chegar em casa. Minha dica pra saber o tamanho certo é: não se baseie pelas fotos do produto, só confie na descrição.

Essa unha tem 18 milímiretos

E essa tem 23


Durabilidade
O tempo que a unha postiça fica colada na unha natural, vai depender do que você usou, pode ser adesivo ou cola. Apesar de já ter ouvido que a cola faz com que a unha dure mais, até agora, eu tenho preferido usar adesivo porque acho menos agressivo na hora de tirar. Mas só usei cola uma vez, então não posso dar muitos depoimentos sobre essa opção. 

Já o adesivo, costuma durar uma semana. Eu faço tudo normalmente, lavo louça, tomo banho, limpo a casa, etc e o adesivo segura bem. Depois do banho o adesivo pode dar uma amolecida, mas é só passar alguns minutos já volta a fixar bem. Nas minhas experiências, depois de sete dias, algumas unhas já começam a levantar.

Imagino que a vantagem da cola é que, se uma unha cair é só colar de novo, mas, pra fazer isso com o adesivo, vai exigir que você pegue um adesivo de uma cartela nova, o que pode desfalcar o próximo uso dessa cartela.

Uma coisa que eu fazia as primeiras vezes que usei unhas postiças, era lixar um pouco a superfície da minha unha natural, pra dar mais textura e mais aderência pro adesivo, mas parei de fazer isso e não senti diferença nenhuma, então acho que não precisa. Mas sempre passo um algodão com acetona ou removedor pra tirar qualquer oleosidade das unhas.



O que vem com as unhas
Quando a gente compra uma caixinha de unhas postiças, normalmente vem 24 unhas, ou seja, 12 pares de tamanhos diferentes. Tem caixinhas que vem só com as unhas, outras já vem os adesivos colados nas unhas, outras vem com duas cartelinhas de 12 adesivos e uma lixa junto (que eu nunca uso). Até agora eu nunca consegui encontrar nenhuma indicação na embalagem do que tem ou não tem dentro (além das unhas e tal). As da Shein costumam vir com as cartelas de adesivo e lixa. As que eu comprei em perfumaria, normalmente vem só as unhas, mas como as da Shein vem com duas cartelas de adesivo, eu sempre fico com adesivo extra e uso nessas que vem sem nada. Algumas também tem um lencinho umedecido pra gente usar pra tirar a oleosidade antes da aplicação.

Como aplicar
Falando sobre a minha experiência, usando unhas que vem com a cartela de adesivo, eu costumo fazer assim: primeiro vou medindo os tamanhos pra ver qual fica melhor em cada unha. A grande maioria das que eu comprei tem, na ponta da parte de baixo (a parte que fica colada na nossa unha natural), um número indicando o tamanho. É bem pequenininho e as vezes parece que não tem, mas, no geral, ele está lá, então vou usando essa indicação pra encontrar os pares.

Depois que separei os tamanhos certos, começo a colar os adesivos nas unhas postiças. Sempre começo do menor pro maior porque, mesmo que o adesivo seja um pouco menor do que o espaço da unha postiça, ele vai fixar bem e eu acho melhor do que sobrar adesivo pra fora porque é bem chatinho pra tirar depois. Pra colar o adesivo, eu costumo encaixá-lo no formato da unha e depois pressiono no meio pra ele colar.


Quando já colei os adesivos em todas as unhas postiças, faço o processo de passar um algodão com acetona ou removedor em todas as minhas unhas naturais pra tirar qualquer oleosidade, espero secar e aí começo a colar as unhas postiças de fato, também, sempre começando da menor para a maior porque, dependendo do comprimento da unha do dedão, ela vai deixar impossível tirar a película do adesivo rs. Então é importante ter pelo menos um dedão livre pra fazer isso, até o final do processo. E aí é só colar! As recomendações que eu já li por aí são de pressionar a unha por um tempinho pro adesivo aderir bem. Mas a verdade é que eu fico pressionando as unhas o tempo todo, sempre que eu estiver usando rs.

Como retirar 
Novamente, falando sobre unhas postiças aplicadas com adesivos, eu já tentei tirar de vários jeitos diferentes, mas o que funcionou melhor, e que é recomendado por alguns fabricantes, é mergulhar as unhas em água morna por um tempo (uns 5, 10 minutinhos já resolve) e depois puxar a unha postiça com cuidado, pra frente e não pra cima. Percebi que tem menos chances de danificar a unha postiça (e aí a gente pode usar a mesma unha mais de uma vez). As vezes também ajuda dar uma forçadinha na parte da unha que fica perto da cutícula pra ela começar a descolar, ai fica mais fácil  pra puxar o resto. Pra tirar o adesivo, tanto da unha natural quanto da postiça, é só ir empurrando com cuidado que ele sai bem fácil.

A única vez que usei cola, pesquisei como tirar e tive embrulhar todas as unhas com algodão com removedor e papel alumínio por alguns minutos, pra dissolver a cola, o que eu achei bem chato e é um processo que estraga a unha postiça.

Essa foi a primeira unha que eu usei pra testar

Essa foi a mais feia rs

E essa foi a preferida até agora

Acho que, até o momento, esses foram os meus conhecimentos adquiridos sobre unhas postiças. Se você, como eu, também tem vontade de usá-las, espero que esse texto te ajude e que seja um processo divertido pra você também.

segunda-feira

O Beto Carrero World é a Disney BR?

Eu tive medo de parques de diversão a minha vida inteira. Nunca me interessei e fugia das excursões de escola pro Playcenter e Hopi Hari. Mas, em 2019, no auge dos meus 28 anos, eu fui pra Los Angeles, onde tem parques tanto da Disney quanto da Universal e eu pensei "já gastei os tubos pra estar aqui, até parece que eu não vou arriscar ir nos brinquedos", e foi assim que eu descobri que na verdade eu adoro parques de diversão rs.

Ano passado realizei o clichezíssimo sonho de ir pra Orlando e a saudade da Disney e dos outros parques foi tanta que, em abril de 2024, decidi ir pro Beto Carrero World (já que dinheiro não ta dando em árvore não é mesmo, amigos?). Durante os meus dois dias visitando o parque, aprendi bastante coisa. E senti que falta conteúdo do Beto Carrero por aí, muito diferente de Orlando que tem todo tipo de dica, até sobre qual fila de brinquedo é mais interessante pra dias de chuva (juro!). Então, cá estou dando a minha humilde contribuição pros colegas viajantes que também querem ir pro Beto Carrero World, mas não encontram muitas informações por aí.

Antes de começar a falar do parque em si, acho importante mencionar que ele fica em Penha, uma cidade do litoral de Santa Catarina, que tem praias deliciosas pra conhecer. Então vale muito a pena reservar um tempo da viagem pra isso. Eu mesma reservei dois dias e fiz dois passeios diferentes: a remada com tartarugas e o passeio de buggy por praias e mirantes, os dois com a Penha Passeios.




Agora, falando sobre o parque de fato, pensei em dividir o assunto em alguns temas: lotação, atrações, shows, comida e bebida, aplicativo e coisinhas que incomodaram. E também acho válido mencionar que eu fui sozinha, então foi uma experiência diferente da que pode ser quando você vai com mais pessoas.

Lotação
Eu fui no parque nos dias 04 e 05 de abril, quinta e sexta-feira. A ideia era ir fora de temporada e evitar o final de semana, tudo pra pegar o parque o mais vazio possível. Mas mesmo assim, achei que a quinta-feira foi um dia bem cheio, eu fiquei, tranquilamente, mais de 1 hora na fila de cada um dos dois primeiros brinquedos que eu fui (Tigor Mountain e Raskapuska). Acho que o que piorou a situação era que tinha excursão de um colégio naquele mesmo dia. Em todos os brinquedos que eu fui tava lá o pessoal com uniforme da escola. Mas na parte da tarde, quando tem os shows, deu uma aliviada boa no tempo de fila.

A sexta-feira já foi bem mais tranquila. Tive que esperar na fila para todos os brinquedos (menos em uma das idas na Star Mountain que eu dei sorte e fui sem fila), mas acho que não fiquei mais de 40 minutos em nenhuma fila. A história de aproveitar a tarde pra ir nos brinquedos enquanto as pessoas estão nos shows funciona, mas não quer dizer que você não vai pegar fila, só quer dizer que elas serão menores. Mas os shows são bem legais e acho que vale a pena assistir a maior parte deles.

Atrações
Depois da Tigor Mountain, que é uma montanha russa bem tranquilinha que dura uns 40 segundos e da Raskapuska que é um brinquedo infantil, no estilo de It's a Samall World da Disney, eu larguei mão de ir nos brinquedos pra criança e foquei nos mais adultos. A descrição da Raskapuska no site do parque é essa: "Embarque na expedição do Raskapuska, navegue em um tronco de árvore pelo interior de uma gigantesca montanha e deixe a magia levá-lo a mundos fascinantes, repletos de música, cores, fantasia e maravilhosas surpresas.". Eu achei que seria uma gracinha então fui! Mas a atração claramente é bem antiga e precisa de mais cuidados, os bonecos ficam rangendo, estão com as cores desbotadas e a atração tem até um cheiro esquisito de coisa velha rs. Então qual foi o aprendizado aqui? Que as atrações super infantis da Disney são legais pra todo mundo porque tem a nostalgia da nossa infância! E porque, no geral, estão mais bem cuidadas também.

Mas depois que abri mão desses brinquedos mais infantis tudo ficou MUITO legal! Fui na FireWhip que é a primeira montanha russa invertida do Brasil. O carrinho fica preso nos trilhos pela parte de cima e os nosso pés ficam livres, o que faz os loopings serem bem doidos. Adorei! Mas ela da bastante tranco. A Star Mountain é uma montanha russa mais clássica, mas bem legal também (eu fui duas vezes), tem o Madagascar Crazy River Adventure que é tranquilinho, mas muito divertido, o Tchibum que tem duas quedas e molha bastante, o Super Soaker Blast que são carrinhos com arminhas de água pra gente atirar nas pessoas que estão tanto dentro quanto fora do brinquedo e é bem legal... mas os meus preferidos foram o Rebuliço, que é uma das atrações mais novas do parque. Ele tem braços que giram até dar uma volta 360º e a gente fica de ponta cabeça por bastante tempo até. E o Spin Blast que é tipo um disco gigante em que a gente senta na beirada dele, virados pra fora, aí ele gira e percorre um caminho com duas ondas, aqui tem um vídeo que da pra ver como é.

Pra dias de parque muito cheio (em alta temporada, férias escolares e tal) eu chuto que deve ter até pouco brinquedo pra muita gente. Mas os que eu consegui ir (fora os dois primeiros rs) eu adorei!!



Shows
Os shows acontecem a partir do meio dia, durante toda a tarde. Dos que eu consegui assistir o mais legal foi o Hot Wheels Epic Show em que tem pilotos fazendo muitas manobras com carros e motos. Além das manobras em si serem bem legais, o apresentador e os pilotos agitam bastante o pessoal que ta assistindo. Tem o Excalibur que, enquanto você almoça (um combo de hambúrguer, batata e refil de bebida que tava bem gostoso), tem a encenação de um resumão da história dos cavaleiros da távola redonda e é bem divertido também (o Excalibur é pago a parte, fora o valor do ingressos pro dia e fica R$100,00). Dependendo de onde você senta pra almoçar, você fica na torcida de um cavaleiro diferente (eu fiquei na torcida do Lancelot) e o apresentador fica puxando as torcidas o tempo todo. Também fui no O Sonho do Cowboy que é um musical de uns 40 minutos com a história de um cowboy (no caso, o Beto Carrero) que ajuda a livrar a cidade de um bandido e seu bando. E também consegui ver o show atual de encerramento, No Ritmo de Trolls que é lindíssimo e acontece na praça central do parque. Vários personagens da DreamWorks se reúnem pra ajudar a inspirar a troll Poppy pra ela conseguir voltar a cantar. O final vira um festão com fogos de artifício e todo mundo levanta pra dançar.

E eu ainda perdi o Madagascar Circus Show (que parece ser muito legal) e o Acqua. E, não é necessariamente um show, mas quando você pega o trem na estação João Alves de Queiroz também tem um teatro, e esse eu fiquei bem triste de ter perdido porque quando fui pra fila, já era o meu último dia de parque, e eles já tinham fechado a atração.

Outra atração que não é um show, mas acho que cabe aqui é o Portal da Escuridão. É tipo aquelas "casas do terror" que tem vários cenários com atores te assustando. Eu nunca tinha ido em algo assim antes e achei bem divertido. Levei susto e deu aflição, mas foi divertido rs. Então não sei se sou a melhor pessoa pra dizer o quão boa é essa casa do terro específica. Mas achei as maquiagens muito bem feitas e os ambientes bem legais também. Tinha desde exorcismo até hospital abandonado. Essa também é uma atração paga a parte e fica R$25,00.



Comida e bebida
Eu não me planejei muito pra comer no parque, o que, no meu caso, deve ter sido até bom porque a praça de alimentação estava fechada e os restaurantes que estavam abertos eram os que ficam espalhados pelo parque, então nem me frustrei de não conseguir comer em algum lugar específico.

Tem restaurantes temáticos como uma hamburgueria de Nerf ou da Hot Wheels (da pra assistir o show da hamburgueria), tem lugar que faz cachorro quente, pastel e comida mexicana também. O que mais me marcou foi o almoço no Excalibur e a porção de nachos que pedi no Mexicano (o nome do restaurante é 'Mexicano' mesmo) que era enorme e estava uma delícia.

Mas, sem acesso à praça de alimentação, fiquei com a impressão de que só tem "comida de parque", não encontrei muita opção pra uma refeição mais tranquila (mais saudável rs) ou mesmo mais refinada. Mas acho legal que tem coisas bem brasileiras tipo o pastel de feira (que é anunciado assim mesmo, como "pastel de feira") e cachorro quente com um monte de coisa (porém, sem purê, pra tristeza dos paulistanos). Como muitas pessoas de fora do Brasil visitam o parque, imagino que isso deve ser interessante pra eles também.




O aplicativo
O Beto Carrero World tem um aplicativo próprio com o mapa do parque, informações sobre os serviços, banheiros, horário dos shows, tempo de fila dos brinquedos, etc. Mas o app ainda tem muito pra melhorar. O mapa não funciona como um Google Maps que mostra você se deslocando, ele só consegue mostrar onde você está e onde estão as atrações. Pra mim, que não tenho senso de direção nenhum, ele não foi muito útil. Acabei usando o próprio Google Maps em alguns momentos que tem a informação de várias das atrações no parque.

Acho que vale baixar, principalmente pra ver os horários dos shows e o tempo de espera das filas, mas só.

Coisinhas que incomodaram
Tiveram algumas coisas que não tem relação com o cuidado do parque que me incomodaram e que eu acho válido mencionar. Como o fato de que eles colocam o hino nacional pra tocar no início do dia, antes de liberar as atrações. A recomendação é levantar e se virar pra bandeira pra cantar o hino. Nem a Disney, que é o auge do orgulho estadunidense e tem trocentas bandeiras dos Estados Unidos espalhadas pelo parque, faz esse tipo de coisa. E a gente bem lembra que em 2022 teve promoção pros eleitores do Biroliro, e depois teve promoção pros eleitores do PT bem no dia do segundo turno pra evitar que as pessoas fossem votar... então você imagina a energia na hora do hino tocando. Um horror!

Além disso, durante O Sonho do Cowboy, tem alguns estereótipos bem ultrapassados que deixaram até difícil curtir o show (mesmo com a qualidade do elenco). Tem uma pessoa com nanismo que aparece no comecinho do show só com o intuito de provocar algumas risadas, tem índia branca e índio falando português errado (fiquei até na dúvida se eu deveria usar o termo correto, indígena, aqui ou não). Salvou um pouco com uma drag queen como dona do saloon na história. Mas sei lá, gente, da pra brincar com o tema de faroeste sem ofender ninguém sabe?

E, apesar dos cavalos que aparecem tanto no Excalibur quanto no Sonho do Cowboy serem belíssimos e muito bem treinados, fiquei pesando o quanto aquela quantidade de barulho deve incomodá-los.

Extra: os personagens da DreamWorks
Além de aparecerem no show de encerramento do dia e em alguns outros shows, os personagens da DreamWorks também ficam até as 15h se revezando na praça pra tirar foto com os visitantes. Eu tirei foto com o Mort de Madagascar e com o Gato de Botas. Mas também tem o Shrek e a Fiona, o Biscoito, o Rei Julian, os pinguins de Magascar, o Megament e o Metro Man... e eu acho que também tem o Alex e a Glória de Magascar, mas eu só os vi no show de encerramento.

Interação com personagem é um negócio sempre muito divertido! Perguntei pro Gato de Botas o que a gente deveria fazer pra nossa foto e saiu isso:


Resumindo muito, essa foi a minha experiência no parque. Eu recomendaria? Com certeza! Com algumas ressalvas pra você já chegar no parque sabendo o que esperar e essas coisas não atrapalharem a sua experiência. Mas foi MUITO divertido, tem brinquedos muito legais e os funcionários são super solícitos. Eu não sei se eu iria sozinha de novo, mas se algum amigo disser que tem vontade de ir e me chamar pra ir junto, eu provavelmente volto sim.

quarta-feira

Dicas da Schallzinha sobre viajar para Orlando

Se tem um povo que gosta de criar conteúdo pra viagem é o povo que vai pra Disney viu? Enquanto eu planejava a minha ida à Orlando topei com conteúdos do tipo "101 Dicas sobre o Walt Disney World", "Exatamente o que fazer em cada país no Epcot", "Quais os melhores sapatos para a sua visita à Disney"... rapaz, eu nem sabia que era possível ter tanta dica pra um mesmo destino. E como essa viagem era extremamente importante pra mim e eu queria fazer tudo o que fosse possível, encontrar esse tipo de conteúdo com muita frequência me gerou bastante ansiedade e chegou um momento que eu só passei a ignorá-los. Na esperança de ajudar outras pessoas a evitar esse tipo de incomodo, decidi reunir aqui as dicas que eu segui, e que deram certo, e outras que eu descobri pelo caminho mesmo.

Lembrando que é aquela coisa, os objetivos de viagem mudam muito de pessoa pra pessoa. Eu, por exemplo, não sou muito das compras, separei pouco tempo pra isso. Meu objetivo era aproveitar bem os parques e tentar conhecer um pouco da cidade. E mesmo quando o assunto é parque de diversão, com relação à Disney e Universal, meu objetivo nunca foi ir nos brinquedos mais radicais, mas sim conhecer, ver a ambientação das diferentes áreas do parque e de cada parque, interagir com as pessoas e com os personagens, etc. Tudo isso dito, bora pras dicas.

Se possível, aproveite o Magic Kingdom em dia de evento no parque
Como a minha viagem foi em outubro, estavam acontecendo as festas de Halloween, que são no Magic Kingdom. A festa começa as 18h, então muita gente começa a chegar no parque só as 16h o que faz com que a lotação no parque durante o resto do dia seja bem mais tranquila. Ainda tem filas, ainda tem espera, mas eu consegui ir em todos os brinquedos que eu queria.

A única coisa é que, em dia de festa, não tem a tradicional queima de fogos no final do dia. Por isso eu me programei pra ir nesse parque em dois dias diferentes; esse, em que teria a festa, e outro pra ir em qualquer outra atração que ficou faltando e pra assistir o show de fogos. E deu pra sentir bastante a diferença de lotação de um dia pra outro. Não é só na época de Halloween que tem eventos acontecendo nesse parque, vale pesquisar e, se der, tentar encaixar no planejamento.

E uma dica extra: a queima de fogos acontece as 20h e as 18h o povo já começa a sentar na frente do castelo pra esperar.


Não tenha medo de andar bastante no Hollywood Studios
Essa foi uma dica que eu vi nas minhas pesquisas e aproveitei muito. O Hollywood Studios é um parque pequeno o que facilita bastante se der na telha de atravessar o parque todo pra aproveitar uma fila que está com tempo de espera legal.

Eu andei aquele parque inteiro, com certeza, mais de cinco vezes. Estava derretida no final do dia? Sim. Mas consegui fazer tudo o que eu queria e foi incrível! Aliás, acho que o Hollywood Studios foi um dos meus parques preferidos. Apesar de ser pequeno, tem muita coisa legal pra fazer.


Use a fila de Single Rider na Universal
Nos parques da Universal, a maioria das atrações tem fila pra single rider, é uma fila pra quem está sozinho ou pra quem não se importa de ir no brinquedo separado do seu grupo. Eles usam essa fila pra preencher os buracos de grupos com número ímpar de pessoas e sempre lotar os brinquedos. Conversando com conhecidos, descobri que essa não é uma informação que todo mundo tem, e no geral, essas filas são mais rápidas do que as tradicionais, então acelera bastante o dia no parque.

O Animal Kingdom vale a pena sim
As pessoas vão te falar que nem precisa ir no Animal Kingdom, que não tem muita coisa pra fazer lá, vão dizer pra você nem perder seu tempo. Mas é lá que estão as atrações maravilhosas de Avatar como Flight of Passage em que você voa em um Banshee, lá tem o show do Rei Leão que também é belíssimo, as atrações de rua são muito animadas e, claro, tem o safari pra gente ver os animais bem de perto ali do nosso ladinho. Durante o safari o guia da informações muito legais, por exemplo, você sabia que Simba significa "O Leão" em Suaíli? Pois é, eu aprendi isso no Animal Kingdom. O dia que eu passei lá foi uma delícia. Sem falar que foi no Animal Kingdom que eu fiz uma das melhores refeições da viagem na Satu'li Canteen.



As pessoas vão no começo da semana pra Disney e no final da semana pra Universal
A minha viagem durou duas semanas. Na primeira, eu foquei nos parques da Disney e na segunda, nos da Universal. Principalmente quando eu estava na Universal, deu pra sentir o movimento dos parques aumentar bastante mais pro final da semana, a partir de quinta-feira. O que já me fez pensar que, se eu voltar pra Orlando, vou focar em ir na Universal no começo da semana e na Disney no final dela. O negócio é evitar os dias mais lotados sempre que possível.

Não use o mesmo sapato em dias seguidos
Essa dica eu ouvi num podcast em que o assunto nem era viagem, mas sim, festivais de música. Use tênis diferentes em cada dia, ou, não use o mesmo tênis em dias seguidos. Não sei explicar tecnicamente o porque isso funciona, mas ajuda bastante a evitar dor nos pezinhos que vão pedir arrego depois de muitos dias sassaricando nos parques. Levar um tênis no pé e outro na mala já resolve e ajuda muito!

O dia de compras não é um dia de descanso
Essa talvez seja óbvia pra você, mas pra mim, infelizmente, não foi. Como eu não sou a pessoa das compras, achei que esse seria um dia mais tranquilo, que pouca coisa ia me empolgar e eu voltaria cedo pro hotel. Quanta inocência meus amigos. E eu ainda errei o horário que os outlets abriam, por isso fui pra outro lugar lá perto, antes começar a bater perna exclusivamente para as compras.

Os outlets em si, de fato não me empolgaram tanto. São lojas muitos bonitas, organizadas e tem muita marca legal. Mas continuam sendo itens de marca, os preços são mais baixos, mas ainda são caros. O negócio ficou doido mesmo quando eu fui pra Ross que é gigantesca e tem preços maravilhosos. A Sephora também costuma ser legal pra quem gosta de maquiagem porque os preços são um pouco mais baixos do que no Brasil e tem marcas que a gente não encontra tão facilmente por aqui. Não sei como eu ainda tive forças pra encerrar o dia na Cheesecake Factory. Mas sei que voltei pro hotel podrinha de tudo.


Orlando não é só os parques
Sei que não é sempre que da pra fazer uma viagem longa pra fora do país, principalmente pros Estados Unidos com o dólar pela hora da morte. Mas como eu consegui ficar lá duas semanas, deu pra fazer bastante coisa além dos parques.

O centro de Orlando é bem lindinho, limpo e organizado e tem o parque Lake Eola que é uma delícia e tem feirinha e música ao vivo aos domingos. Lá perto tem o Hamburguer Mary's uma hamburgueria que tem um brunch com show de drag queens interpretando músicas da Broadway, também aos domingos (eu comecei o domingo lá e depois fui pro Lake Eola Park). 

Também fui pra exposição de artefatos do naufrágio do Titanic que é belíssima e emocionante. Fui no Kennedy Space Center que é um centro de exposições da NASA. Tem o museu de cera Madame Tussauds que sempre é um rolê divertido. E o museu de cera fica dentro de outro parque que tem várias outras atrações. Tem Celebration que um bairro que se conecta com a história da Disney e é muito bonito e gostosinho. Então a dica é, se der tempo, explore o que Orlando tem pra oferecer além dos parques porque vale a pena.

 

Essas são só as principais dicas que eu consegui pensar que fogem um pouco de tudo o que a gente encontra na internet. Mas se você me encontrar por aí, saiba que eu vou querer falar dessa viagem pro resto da vida! Então me chama pra conversar.

terça-feira

Planejamento de viagem: amar ou odiar?

Tenho pra mim que quem viaja sem planejamento é porque está muito bem de vida e pode se dar ao luxo de cair no tédio, ou gastar tempo da viagem pra decidir o que fazer na hora mesmo. E nem acho que seja só pra viagem internacional, mas pra destinos nacionais mesmo. O ponto é que, independente disso, eu descobri que AMO planejar viagens. Pode ser que eu nem tenha uma viagem planejada de fato, mas as vezes começo a procurar opções de hotéis pra lugares que eu gostaria de ir algum dia, só pela diversão de fazer a pesquisa mesmo.

Apesar de ter começado a viajar de verdade mais tarde na vida (por volta dos meus 21, 22 anos), acho que desenvolvi algumas técnicas de organização que valem a pena o compartilhamento, e é pra isso que eu pretendo usar esse post.

Pra começar, eu tenho uma pasta no meu Google Drive só pra viagens e cada destino tem uma pastinha separada que, normalmente, tem 4 arquivos: 1 doc pra ir jogando links relevantes de pesquisa, 1 mapa pra jogar, sem muita organização, os lugares que eu pesquisei e pareceram interessantes, 1 sheets completão que vai ter o roteiro, lista das tarefas, lista do que levar na mala, etc, e mais 1 mapa organizado por dia pra montar em paralelo com o roteiro. Porque eu sou muito legal, através desse link você consegue acessar e copiar um modelinho desses arquivos.

Foto por That's Her Business no Unsplash.

Parte 1 - A pesquisa

Normalmente o planejamento começa pelo primeiro doc de pesquisa. Vou pesquisando o destino no google pra descobrir o que tem pra fazer por lá e as coisas que eu gosto. Eu sou muito mais a pessoa dos passeios culturais, do que das compras por exemplo, então gosto de pesquisar museus, os eventos que vão acontecer no destino enquanto eu estiver lá, etc. E aí vou jogando os links mais interessantes no doc, separando por temas como Museus, Parques, Monumentos, Restaurantes, Cafés, Compras, etc.

Junto com o doc, já da pra ir preenchendo o primeiro mapa também. Se eu vou pra mais de uma cidade, costumo dividir o mapa em camadas, uma pra cada cidade. Nesse arquivo, eu vou colocando o endereço das coisas que eu achei mais legais, os restaurantes que pareceram bons, etc. Esse mapa vai ser útil para duas coisas: conseguir visualizar as atrações que estão perto uma da outra, o que facilita pra pensar o roteiro por dia. E, durante a viagem, se tiver algum momento livre que você não sabe muito bem como aproveitar, é só abrir esse arquivo que você vai lembrar as coisas que já tinha pesquisado.

Parte 2 - As listas

Outra coisa que também da pra fazer em paralelo à outras que já mencionei, é ir preenchendo no sheets a lista de coisas que precisam ser feitas pra viagem. Nela entram coisas como tirar visto, comprar moeda estrangeira, reservar um passeio x, comprar passagem para ir de uma cidade pra outra, contratar pet sitter... tudo o que fizer sentido pra você e praquela viagem específica. Sabendo qual é o clima que faz no seu destino quando você vai estar lá, também da pra fazer a lista do que levar. Uma vez que essa lista estiver pronta, ela muda pouco de viagem pra viagem e você vai só reaproveitando ela.

Parte 3 - O Roteiro

Quando acho que o primeiro doc já tem bastante informação, eu reservo um tempinho pra pensar no roteiro. Acabo voltando nos links que eu já tinha pesquisado, mas é inevitável fazer novas buscas. E a vibe toda do roteiro também depende de como eu espero que a viagem seja. Quando eu fui pra Los Angeles, por exemplo, era a minha viagem dos sonhos e eu não queria desperdiçar nenhum minuto, então pensei no roteiro de hora em hora. Já pra uma viagem mais tranquila eu só dividi os dias entre manhã, tarde e noite. Eu também costumo sinalizar os compromissos que não tem como reagendar (como um show ou uma festa) e, além das coisas que eu sei que não quero deixar de fazer, também deixo algumas sugestões de atividades secundárias que eu posso fazer caso sobre tempo. Isso tudo sinalizado com cores diferentes. 

Com os dias razoavelmente planejados, eu começo a abastecer o mapa por dia, criando uma camada pra cada dia (as vezes é preciso colocar mais de um dia por camada por conta do limite no número de camadas que podemos criar) e uma cor diferente pra cada dia também. A partir do momento que esse mapa estiver montado, você vai conseguir visualizar com mais facilidade, se o seu roteiro está realmente prático, além de ter o endereço de tudo o que você decidiu que com certeza faria parte da sua viagem. Clicando aqui, você vai ver um vídeo onde eu explico como eu uso os mapas.

Ainda na aba do roteiro, também deixei um espaço pra pensar nas roupas que eu gostaria de usar em cada dia. Sabendo as atividades da pra planejar os looks e otimizar o tempo de montagem da mala e os itens que vão nela.

Parte 4 - Admirar o seu planejamento até o dia da viagem

A verdade é que eu finalizo os últimos detalhes do roteiro poucos dias antes da viagem porque sempre sobra uma coisinha ou outra pra fazer. Mas até lá, eu tenho o costume de abrir todos os arquivos de vez em quando só pra ficar olhando a parte do planejamento que já está pronta e pensando o quanto a viagem vai ser incrível. 

Acho que é por isso que eu gosto tanto dessa parte de panejar a viagem. Porque a sensação é de que ela começa assim que eu faço a primeira busca no Google. Se você passar a encarar dessa maneira, aposto aqui e agora, que vai passar a amar o planejamento também.

Capsula do Tempo

Foto de Kai Pilger na Unsplash


Há 10 anos, mais precisamente no dia 11 de junho de 2012, graças a um projeto chamado "365 nuncas" (da um google aí ;)), eu escrevi uma carta pra mim mesma que seria reenviada pra mim depois de uma década. Lembra de uma trend que aconteceu um pouco depois, de fazer uma carta pra você de 10 anos atrás? Me deu vontade de repetir e mandar um alô pra Priscila de 20 anos que estava, numa segunda-feira, dedicando um tempinho dela pra escrever essa carta pra mim. Bora lá...

Eu estava em: Escritório de casa em Caieiras;
Em volta de mim estava(m): Meu avô, na sala, assistindo futebol;
Em 10 anos eu gostaria de estar em: Meu apartamento no centro de alguma cidade grande;
Eu esperava pro futuro: Mais confiança, mais respostas do que perguntas.

Priscila, eu ri muito quando vi que você tirou férias do trabalho pra estudar pras provas da faculdade, porque, se eu tivesse lembrado que você tinha feito isso em 2012, teria me poupado um bocado de sofrimento entre o final de 2021 e começo de 2022. Depois de se debater muito tentando trabalhar, estudar e se mudar ao mesmo tempo, a gente finalmente decidiu tirar férias pra fazer a mudança sem pirar. E foi aí que eu percebi que ao mesmo tempo que um monte coisa mudou, tem muita coisa que continua igual também, e que eu podia me apoiar mais na sua sabedoria de vez em quando. 

Não vai ter muita graça se eu te der spoiler de tudo, mas a gente conseguiu muita coisa do que a gente queria. Eu, de fato, estou escrevendo essa carta no nosso apartamento numa cidade grande. Não necessariamente no centro, mas pertinho do metrô, o que da quase no mesmo. A cidade grande, no caso, é São Paulo, mas pasme: com muito mais frequência do que a gente jamais imaginaria, a gente tem se perguntado se quer o ritmo de São Paulo por muito mais tempo. 

A gente nem tem mais diário pra desabafar! Mas essa história que você queria de viver sem meio termo, isso aí não existe não viu? Ainda mais pra gente! Com terapia, mapa astral, leitura de aura e muita reflexão entendemos que a gente é intensidade pura! Acredita? É, eu demorei pra aceitar também. Mas essa coisa de intensidade, que soa muito poética, é na verdade uma grande porcaria. E faz ser bem necessário procurar o meio termo pra tudo e não surtar ou evitar a maior quantidade possível de surtos.

A gente fez a nossa viagem dos sonhos! E isso ajudou a gente a entender o que são sonhos. E essa sua gracinha do começo da carta, de dizer que, com 20 anos, você já tinha mudado de sonhos várias vezes, está bem errada, senhora. Seus sonhos sempre foram mais ou menos os mesmo. Mas agora que a gente sabe disso, ta mais possível ir atrás deles. Algumas coisas da sua lista ainda não aconteceram. Mas algumas delas não são mais tão relevantes pra gente, tipo publicar um livro. A vontade de escrever sempre volta de tempos em tempos (visto que cá estamos), mas a gente vai lidando assim.

Os sons que embalam seu dia hoje, 14 de junho de 2022, são bem diferentes dos de 2012 e, apesar de estar feliz, me bateu uma saudade imensa de ouvir um jogo de futebol aleatório na TV enquanto eu escrevo. Engraçado que isso nem tem relação com as coisas que você queria né? Provavelmente porque você não imaginava que ia querer que seus avós pudessem conhecer seu apartamento, ver a sua avó sem saber como interagir com a sua gata (aham! você tem uma gata!), seu avô achando engraçado, todo mundo tomando um café depois do almoço na mesa de jantar que seu pai fez. Acho que a dica é: da pra ir atrás do que você quer, enquanto curte o que já ta rolando.

E hoje, você sabe sim onde você quer chegar, mas a verdade é que você sempre soube.