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domingo

Londres - O sonho adormecido

Tenho feito uma viagem grande, e mais cara, por ano. Os planos de 2025 eram ir pra São Francisco pra zerar (ou chegar bem próximo disso) os lugares que eu tenho vontade de conhecer nos Estados Unidos. Mas aí aquela coisa laranja foi eleita de novo por lá e, além da preocupação com o tratamento com pessoas estrangeiras, eu também ouvi muitas histórias de gente que chegou lá e teve que virar e voltar porque a imigração achou algum motivo pra não deixar a pessoa entrar no país. Se tem um negócio que é sagrado pra mim, são as minhas férias e meu suado dinheirinho investido nelas, então eu não ia arriscar ir pra um lugar que, potencialmente, não me quer lá. Quando comecei a pensar os outros lugares que eu gostaria de conhecer, Londres era o próximo da lista. 

Durante a minha adolescência eu desenvolvi um fascínio pela Inglaterra como um todo graças a minha obsessão por McFLY. O sotaque, a pontualidade, a gentileza como cultura, a música, o tempo nublado, o chá da tarde, a história da realeza... quanto mais eu pesquisava pra viagem todo o encanto ia voltando junto com uma nostalgia gostosa, mesmo sem eu nunca ter pisado lá. Quando eu, de fato cheguei em Londres e comecei a viver o lugar, eu me senti em casa como nunca tinha me sentido antes em uma viagem. Foi mágico. Tanto que é difícil decidir o que eu quero trazer pra esse relato. Então eu decidi trazer (quase) tudo. Mas dividi em categorias pra facilitar a sua leitura, porque eu sou legal assim.

Pontos turísticos mais famosos

- Capela de Westminster: foi o primeiro ponto turístico mais conhecido que eu fui, era o meu primeiro dia inteiro na cidade e foi impactante demais ver o tanto de história contido num só lugar. A capela é pequena, se comparada a Catedral de St. Paul por exemplo, mas é um labirinto abarrotado de fatos históricos.

- National Gallery: quase não fui porque deixei pro final dos dias em Londres e eu já tava saturada de museu. Mas além do prédio ser lindo, tem obras famosíssimas (que é sempre muito doido ver de perto) e o audio guia deles é incrível, feito com os funcionários do museu, os curadores do acervo.

 

- London Eye: clichê por um motivo né? Eu amo uma vistinha de cima e uma roda gigante então não tinha porque não ir. Teve uns minutinhos de fila, mas achei tudo bem organizado. As cabines são enormes e o passeio dura tempo suficiente pra tirar muita foto e apreciar as paisagens.

London Tower: outro passeio que eu quase não fui, o que teria sido um erro imenso! A Torre de Londres é mais um lugar que transpira história e eles fazem um tour guiado cheio de humor sombrio, contando histórias de guerras e execuções famosas que aconteceram ali. Os corvos também são um showzinho a parte.


- Shakespeare Globe Theatre: não é a construção original, mas é uma réplica que fica bem próxima de onde era o teatro verdadeiro onde foram encenadas a maior parte das peças do Shakespeare. Eu sou suspeita pra falr sobre esse passeio porque amo teatro, então achei tudo incrível. O tour guiado conta com muitos detalhes de como era a experiência de ir ao teatro naquela época.


- Sherlock Holmes Museum: fica na Baker Street 221 B, o endereço original do personagem nos livros. É um prédio pequenininho, todo ambientado pra dar vida aos cômodos como a casa do detetive mais fomoso do muito, com muitos detalhes como caximbos e violinos espalhados pelo lugar.


Arredores de Londres

- Stonehenge e Bath: os tours pro Stonehenge normalmente incluem alguma outra parada porque em pouco tempo da pra admiriar o círculo de pedras e ver o centro de exposições (tudo maravilhoso! É outro nível de coisa velha! Se na cidade de Londres a gente vê muita coisa do período medieval, o Stonehenge é um registro da organização humana no período pré-histórico!!!) então eu escolhi um tour que também me levaria pra Bath que, além de ser linda também tem um museu sobre a Jane Austen já que a autora morou lá com a família por varios anos. O tour foi mágico, de verdade!



- Greenwich: não sei porque cazzo Greenwich não aparece nos posts sobre Londres como um lugar que você TEM que conhecer na sua viagem. O Greenwich Park é lindíssimo e também abriga o observatório real que tem uma exposição fixa MUITO legal sobre os astronomos que moraram lá com as suas famílias e também é onde passa o meridiano de Greenwich que divide o planeta entre os hemisférios leste e oeste. Pertinho do observatório tem a Queens House que foi mais uma moradia da realeza. Também fui conhecer o Greenwich Market que existe desde 1.737!!! E ainda faltou conhecer mais um monte de coisa legal que tem por lá.





- Warner Brothers Studios: é onde tem uma exposição fixa e GIGANTESCA sobre os filmes de Harry Potter. Tem cenários inteiros montados pra gente ver, figurino, peças de efeitos especiais, vídeos e áudio guia (que tem opção em pt-br). Tudo espalhado por vários galpões. A exposição termina na maquete de Hogwarts que foi sendo construída conforme a necessidade dos filmes. Tudo lindo, lindo, lindo!!





- Candem Town: uma cidadezinha perto de Londres que tem um centro de compras todo desoladinho. Saindo do metrô você já vê um monte de lojas e restaurantes legais, mas daora mesmo é o  Candem Market que é um labirinto de lojas de roupas e acessórios, brechós, bugigangas turísticas e comidinhas. Bati um papo legal com váios vendedores por lá!



- Brighton: eu fui pra Brighton porque era o local mais próximo de Londres por onde passaria a turnê do musical de Percy Jackson (que cêis já tão cansados de saber que eu amo né? então tá bom!). Mas foi uma delícia conhecer a cidade! Ela fica no litoral e tem uma praia linda (apesar de absolutamente diferente das praias brasileiras e tropicais), um píer que parece coisa de filme e uma atmosfera deliciosa.


 

- Royal Pavilion: esse foi um dos museus mais legais que eu fui na vida. Fica em Brighton e é uma construção que, adivinha? Também foi uma moradia da realeza inglesa. Mas como o prédio foi vendido e não é mais da realeza eles tiveram muita liberdade pra fazer toda a ambientação do lugar e fizeram isso como se o rei George IV e sua família ainda morasem lá. A cozinha tem panelas e comidas, a sala de jantar tem um banquete posto na mesa, os quartos tem roupas e obras de arte... e o audio guia explica os detalhes da decoração que mistura influências indianas e chinesas de um jeito bem espalhafatoso.





Música e entretenimento

- West End: assim como Nova York tem a Broadway, Londres tem o West End, uma região da cidade com vários teatros que abriga as peças e musicais mais famosos do momento. Eu fui ver a peça de Meu Amigo Totoro e o musical de De Volta pro Futuro e as duas experiências foram incríveis. As produções são impecáveis! Só fiquei de cara que não podia tirar foto do elenco agradecendo no final e que as pessoas não levantam pra aplaudir de pé rs (o que é padrão na maior parte das vezes que eu vou no teatro em São Paulo e também foi nos dois musicais que eu vi em Nova York).



- The Cavern Club: é o pub em Liverpool onde os Beatles foram descobertos pelo empresário que os levou à fama. Até hoje o lugar tem cerveja e música boa todos os dias. Mesmo sozinha foi uma delícia ficar um tempinho lá, vendo a decoração, ouvindo o artista que estava tocando no dia e bebendo uma cervejinha. Se eu estivesse acompanhada teria ficado até de madrugada com certeza.



Gastronomia

- Baba Ganoush no Leadenhall Market: a Inglaterra não é necessariamente conhecida pela gastronomia, mas pra sorte dos turistas (e também dos locais), é conhecida pelos imigrantes, rs. Uma das melhores refeições que eu fiz foi nesse restaurante árabe no Leadenhall Market. Comida boa, preço justo e atendimento ótimo!


- Golborne Deli & Wine Store: depois de bater perna na feira de rua e nas lojinhas de Notting Hill eu queria tomar um café e comer um docinho antes de ir pra próxima parada. Aí joguei "coffee" no google maps, escolhi o lugar pela nota e fui parar numa cafeteria pequenininha e abarrotada de pães, doces e salgados BELÍSSIMOS. Jamais esquecerei o muffin que eu comi lá. 


- Restaurante do cavern club: antes de ir tomar uma cervejinha no pub to Cavern Club, parei no restaurante deles pra comer e foi uma delícia. O ambiente é super agradável e bonito, o atendimento foi mega atencioso e a comida tava uma delícia (e nem era de imigrantes rs).


- Apple Crumble: nessa viagem eu descobri um novo doce preferido, o Apple Crumble! É uma sobremesa feita em camadas: primeiro uma espécie de geléia de maçã quentinha, depois um creme doce, tipo creme de pasteleiro, e por último, uma farofinha doce normalmente feita com biscoff, uma bolacha doce sem recheio. Comi um no Greenwich Market que era bem artesanal e caseiro e outro no Candem Market que era mais industrializado, mas também estava bem gostoso. Tenho planos de tentar reproduzir a receita em casa em um dia friozinho.


- Chá da tarde: tenho provas de que chá da tarde não é só coisa de turista!!! Com um velho conhecido da época do My Space, que é inglês, confirmei se era legal ou não ter a experiência do chá da tarde ou se era cilada, e ele disse que era daora sim e que no geral era um rolê bem agradável. E ele não tava errado. Escolhi experimentar o chá da tarde no Café Rouge da St. Katharine Docks que tem um preço bem amigo (se comparado com outras opções) e a vista pro deque é linda. Fui super bem atendida e a comida estava uma delícia. Vieram vários tipos de docinhos, lachinhos e acompanhamentos numa torre de pratinhos (que eu aprendi que a gente deve comer de baixo pra cima rs) e a coisa começa com um espumante, depois vem o chá de fato (que você pode escolher o sabor) e ainda termina com outra bebeida quente (eu escolhi um capuccino). Saí de lá rolando e feliz! 



Compras

- Superdrug: em busca de uma loja pra comprar maquiagem baratinha, encontrei a Superdrug que é uma perfumaria bem completona, com cosméticos pra pele, cabelo, unhas, etc, etc. É, basicamente, a Sumirê deles, com marcas mais em conta, mas ainda assim, conhecidas no mundo todo tipo Maybelline e L'oreal. Eu apoveitei pra comprar itens de marcas que eu ainda não conhecia e que estavam na promoção, tipo uma bruma fixadora de pumpkin spice rs.


- A loja do Shakespeare Globe Theatre: além do tour maravilhoso o Globe Theatre também oferece toda uma variedade de produtos lindos e/ou bem humorados na sua loja. Pra você ter uma ideia tinha desde um poster com a linha do tempo das peças do Shakespeare e o que estava acontecendo historicamente na mesma época (que eu comprei) até um fantoche de rato da peste negra (que eu não comprei, mas deu vontade).



Liverpool

- Magical Mystery Tour: a ida pra Liverpool nessa viagem foi motivada por um show do McFLY que aconteceria lá. Mas, uma vez na terra dos Beatles, me senti quase na obrigação de mergulhar na história do grupo. Pra isso, fiz o Magical Mystery Tour, que acontece desde 1967. Além do passeio acontecer em um ônibus decorado (o que faz com que as pessoas na rua dêem tchauzinho pra quem ta dentro dele), a gente vai ouvindo as músicas que tem relação com as história que a guia vai compartilhando e com os lugares que estamos vendo. Foi uma delícia entrar nas ruas e vielinhas e imaginar a vida dos quatro antes da fama. Sem falar que foi uma ótima maneira de conhecer a cidade de um jeito bem diferente.


 

- The Bluecoat: o Bluecoat é um prédio que foi construído em 1717 para ser uma escola gratuita para crianças e adolescentes das classes mais baixas, mas hoje se transformou num centro de arte contemporânea que abriga todo tipo de artistas com exposições, aulas, shows, rodas de conversa, etc. Fui lá no meu último dia de viagem e amei conhecer mais sobre a história do prédio, tomar um cafézinho e apreciar o jardim deles.



Surpresas boas e inesperadas

- Catedral de São Paulo: esse foi mais um de vários passeios que eu nem tinha planejado fazer, mas os planetas se alinharam, deu ruim no que eu tinha planejado pro dia, eu tava perto de lá e já tinha um ingresso pra fazer um tour guiado incluso em um daqueles cartões que tem várias entradas pra atividades na cidade. A igreja é belíssima, tem uma história MUITO interessante (tipo ela já ter sido reconstruída cinco vezes por causa de bombardeios e incêndios) e voluntários fofíssimos atendendo os visitantes.



- Sussex Gardens: eu fiquei hospedada no Sussex Gardens pertinho da estação de Paddington (e foi sem querer hein?). A estação é enorme e tem conexão com várias linhas de metrô e trem, o que facilitou bastante o meu deslocamento pela cidade. A região é bem tranquila e cheia de restaurantes, cafés, mercadinhos e lojinhas de bugigangas tuísticas. Comprei muita janta pronta nos mercadinhos e aproveitei bastante os cafés e restaurantes pra comer perto do hotel quando tava podre de cansada.



- Embankment Pier: A London Eye fica nesse píer e eu não tinha dado atenção a isso até de fato estar lá e ver o carrossel, os food e drinktrucks e os artistas de rua. Era um sábado, então eu não sei dizer se tudo isso continua lá durante a semana, mas foi uma delícia sair da London Eye, comer meu primeio fish and chips da viagem, beber um drinkinho e observar as pessoas.


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- A TV Local: acho que eu nunca aproveitei tanto a TV aberta numa viagem como eu fiz nessa. Descobri que os ingleses são obcecados por realities e game shows, sempre que eu ligava a TV tinha pelo menos um dos dois passando em algum canal. Voltei pro Brasil com duas novas obcessões, Traitors Celebrities, uma temporada especial só com celebridades locais de um reality show de competição por um prêmio em dinheiro que seria doado pra caridade, e Would I Lie To You?, um programa de auditório com comediantes contando situações absurdas e competindo em dois times pra descobrir se as situações são verdade ou não.


- Museum of Brands: esse aqui eu fui porque achei que Notting Hill levaria o dia inteiro, mas não levou e o museu era pertinho de lá. O espaço é pequeno, é basicamente um corredorzão de vitrines com embalagens, propagandas e produtos desde 1700 (ou antes até). Talvez, como uma pessoa formada em publicidade eu seja um pouco suspeita pra dizer, mas achei interessantíssimo ver a evolução das marcas e produtos junto com os fatos históricos da inglaterra.



- Sky Garden: por muito pouco eu não desisti desse rolê. O Sky Garden é um rooftop pra apreciar a cidade de cima, mas é um passeio bem popular. Mesmo reservando o ingresso com horário marcado tive que ficar fila de mais de uma hora no frio depois de bater perna o dia todo. Mas no fim valeu a pena porque a vista é lindíssima mesmo e o lugar é muito bonito, espaçoso e ainda tem um bar da Aperol.



Eu juro por Deus que esses foram os highlights. Se eu fosse falar sobre tudo, tudo mesmo, teria que fazer pelo menos quatro posts com o mesmo tamanho desse. Espero que, com esse post, eu tenha conseguido transmitir um pouco de como foi incrível conhecer todos esse lugares. Foi uma delícia escrever tudo isso e lembrar o quanto essa viagem foi linda.