Páginas

terça-feira

Capsula do Tempo

Foto de Kai Pilger na Unsplash


Há 10 anos, mais precisamente no dia 11 de junho de 2012, graças a um projeto chamado "365 nuncas" (da um google aí ;)), eu escrevi uma carta pra mim mesma que seria reenviada pra mim depois de uma década. Lembra de uma trend que aconteceu um pouco depois, de fazer uma carta pra você de 10 anos atrás? Me deu vontade de repetir e mandar um alô pra Priscila de 20 anos que estava, numa segunda-feira, dedicando um tempinho dela pra escrever essa carta pra mim. Bora lá...

Eu estava em: Escritório de casa em Caieiras;
Em volta de mim estava(m): Meu avô, na sala, assistindo futebol;
Em 10 anos eu gostaria de estar em: Meu apartamento no centro de alguma cidade grande;
Eu esperava pro futuro: Mais confiança, mais respostas do que perguntas.

Priscila, eu ri muito quando vi que você tirou férias do trabalho pra estudar pras provas da faculdade, porque, se eu tivesse lembrado que você tinha feito isso em 2012, teria me poupado um bocado de sofrimento entre o final de 2021 e começo de 2022. Depois de se debater muito tentando trabalhar, estudar e se mudar ao mesmo tempo, a gente finalmente decidiu tirar férias pra fazer a mudança sem pirar. E foi aí que eu percebi que ao mesmo tempo que um monte coisa mudou, tem muita coisa que continua igual também, e que eu podia me apoiar mais na sua sabedoria de vez em quando. 

Não vai ter muita graça se eu te der spoiler de tudo, mas a gente conseguiu muita coisa do que a gente queria. Eu, de fato, estou escrevendo essa carta no nosso apartamento numa cidade grande. Não necessariamente no centro, mas pertinho do metrô, o que da quase no mesmo. A cidade grande, no caso, é São Paulo, mas pasme: com muito mais frequência do que a gente jamais imaginaria, a gente tem se perguntado se quer o ritmo de São Paulo por muito mais tempo. 

A gente nem tem mais diário pra desabafar! Mas essa história que você queria de viver sem meio termo, isso aí não existe não viu? Ainda mais pra gente! Com terapia, mapa astral, leitura de aura e muita reflexão entendemos que a gente é intensidade pura! Acredita? É, eu demorei pra aceitar também. Mas essa coisa de intensidade, que soa muito poética, é na verdade uma grande porcaria. E faz ser bem necessário procurar o meio termo pra tudo e não surtar ou evitar a maior quantidade possível de surtos.

A gente fez a nossa viagem dos sonhos! E isso ajudou a gente a entender o que são sonhos. E essa sua gracinha do começo da carta, de dizer que, com 20 anos, você já tinha mudado de sonhos várias vezes, está bem errada, senhora. Seus sonhos sempre foram mais ou menos os mesmo. Mas agora que a gente sabe disso, ta mais possível ir atrás deles. Algumas coisas da sua lista ainda não aconteceram. Mas algumas delas não são mais tão relevantes pra gente, tipo publicar um livro. A vontade de escrever sempre volta de tempos em tempos (visto que cá estamos), mas a gente vai lidando assim.

Os sons que embalam seu dia hoje, 14 de junho de 2022, são bem diferentes dos de 2012 e, apesar de estar feliz, me bateu uma saudade imensa de ouvir um jogo de futebol aleatório na TV enquanto eu escrevo. Engraçado que isso nem tem relação com as coisas que você queria né? Provavelmente porque você não imaginava que ia querer que seus avós pudessem conhecer seu apartamento, ver a sua avó sem saber como interagir com a sua gata (aham! você tem uma gata!), seu avô achando engraçado, todo mundo tomando um café depois do almoço na mesa de jantar que seu pai fez. Acho que a dica é: da pra ir atrás do que você quer, enquanto curte o que já ta rolando.

E hoje, você sabe sim onde você quer chegar, mas a verdade é que você sempre soube.

Nenhum comentário:

Postar um comentário