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segunda-feira

O Beto Carrero World é a Disney BR?

Eu tive medo de parques de diversão a minha vida inteira. Nunca me interessei e fugia das excursões de escola pro Playcenter e Hopi Hari. Mas, em 2019, no auge dos meus 28 anos, eu fui pra Los Angeles, onde tem parques tanto da Disney quanto da Universal e eu pensei "já gastei os tubos pra estar aqui, até parece que eu não vou arriscar ir nos brinquedos", e foi assim que eu descobri que na verdade eu adoro parques de diversão rs.

Ano passado realizei o clichezíssimo sonho de ir pra Orlando e a saudade da Disney e dos outros parques foi tanta que, em abril de 2024, decidi ir pro Beto Carrero World (já que dinheiro não ta dando em árvore não é mesmo, amigos?). Durante os meus dois dias visitando o parque, aprendi bastante coisa. E senti que falta conteúdo do Beto Carrero por aí, muito diferente de Orlando que tem todo tipo de dica, até sobre qual fila de brinquedo é mais interessante pra dias de chuva (juro!). Então, cá estou dando a minha humilde contribuição pros colegas viajantes que também querem ir pro Beto Carrero World, mas não encontram muitas informações por aí.

Antes de começar a falar do parque em si, acho importante mencionar que ele fica em Penha, uma cidade do litoral de Santa Catarina, que tem praias deliciosas pra conhecer. Então vale muito a pena reservar um tempo da viagem pra isso. Eu mesma reservei dois dias e fiz dois passeios diferentes: a remada com tartarugas e o passeio de buggy por praias e mirantes, os dois com a Penha Passeios.




Agora, falando sobre o parque de fato, pensei em dividir o assunto em alguns temas: lotação, atrações, shows, comida e bebida, aplicativo e coisinhas que incomodaram. E também acho válido mencionar que eu fui sozinha, então foi uma experiência diferente da que pode ser quando você vai com mais pessoas.

Lotação
Eu fui no parque nos dias 04 e 05 de abril, quinta e sexta-feira. A ideia era ir fora de temporada e evitar o final de semana, tudo pra pegar o parque o mais vazio possível. Mas mesmo assim, achei que a quinta-feira foi um dia bem cheio, eu fiquei, tranquilamente, mais de 1 hora na fila de cada um dos dois primeiros brinquedos que eu fui (Tigor Mountain e Raskapuska). Acho que o que piorou a situação era que tinha excursão de um colégio naquele mesmo dia. Em todos os brinquedos que eu fui tava lá o pessoal com uniforme da escola. Mas na parte da tarde, quando tem os shows, deu uma aliviada boa no tempo de fila.

A sexta-feira já foi bem mais tranquila. Tive que esperar na fila para todos os brinquedos (menos em uma das idas na Star Mountain que eu dei sorte e fui sem fila), mas acho que não fiquei mais de 40 minutos em nenhuma fila. A história de aproveitar a tarde pra ir nos brinquedos enquanto as pessoas estão nos shows funciona, mas não quer dizer que você não vai pegar fila, só quer dizer que elas serão menores. Mas os shows são bem legais e acho que vale a pena assistir a maior parte deles.

Atrações
Depois da Tigor Mountain, que é uma montanha russa bem tranquilinha que dura uns 40 segundos e da Raskapuska que é um brinquedo infantil, no estilo de It's a Samall World da Disney, eu larguei mão de ir nos brinquedos pra criança e foquei nos mais adultos. A descrição da Raskapuska no site do parque é essa: "Embarque na expedição do Raskapuska, navegue em um tronco de árvore pelo interior de uma gigantesca montanha e deixe a magia levá-lo a mundos fascinantes, repletos de música, cores, fantasia e maravilhosas surpresas.". Eu achei que seria uma gracinha então fui! Mas a atração claramente é bem antiga e precisa de mais cuidados, os bonecos ficam rangendo, estão com as cores desbotadas e a atração tem até um cheiro esquisito de coisa velha rs. Então qual foi o aprendizado aqui? Que as atrações super infantis da Disney são legais pra todo mundo porque tem a nostalgia da nossa infância! E porque, no geral, estão mais bem cuidadas também.

Mas depois que abri mão desses brinquedos mais infantis tudo ficou MUITO legal! Fui na FireWhip que é a primeira montanha russa invertida do Brasil. O carrinho fica preso nos trilhos pela parte de cima e os nosso pés ficam livres, o que faz os loopings serem bem doidos. Adorei! Mas ela da bastante tranco. A Star Mountain é uma montanha russa mais clássica, mas bem legal também (eu fui duas vezes), tem o Madagascar Crazy River Adventure que é tranquilinho, mas muito divertido, o Tchibum que tem duas quedas e molha bastante, o Super Soaker Blast que são carrinhos com arminhas de água pra gente atirar nas pessoas que estão tanto dentro quanto fora do brinquedo e é bem legal... mas os meus preferidos foram o Rebuliço, que é uma das atrações mais novas do parque. Ele tem braços que giram até dar uma volta 360º e a gente fica de ponta cabeça por bastante tempo até. E o Spin Blast que é tipo um disco gigante em que a gente senta na beirada dele, virados pra fora, aí ele gira e percorre um caminho com duas ondas, aqui tem um vídeo que da pra ver como é.

Pra dias de parque muito cheio (em alta temporada, férias escolares e tal) eu chuto que deve ter até pouco brinquedo pra muita gente. Mas os que eu consegui ir (fora os dois primeiros rs) eu adorei!!



Shows
Os shows acontecem a partir do meio dia, durante toda a tarde. Dos que eu consegui assistir o mais legal foi o Hot Wheels Epic Show em que tem pilotos fazendo muitas manobras com carros e motos. Além das manobras em si serem bem legais, o apresentador e os pilotos agitam bastante o pessoal que ta assistindo. Tem o Excalibur que, enquanto você almoça (um combo de hambúrguer, batata e refil de bebida que tava bem gostoso), tem a encenação de um resumão da história dos cavaleiros da távola redonda e é bem divertido também (o Excalibur é pago a parte, fora o valor do ingressos pro dia e fica R$100,00). Dependendo de onde você senta pra almoçar, você fica na torcida de um cavaleiro diferente (eu fiquei na torcida do Lancelot) e o apresentador fica puxando as torcidas o tempo todo. Também fui no O Sonho do Cowboy que é um musical de uns 40 minutos com a história de um cowboy (no caso, o Beto Carrero) que ajuda a livrar a cidade de um bandido e seu bando. E também consegui ver o show atual de encerramento, No Ritmo de Trolls que é lindíssimo e acontece na praça central do parque. Vários personagens da DreamWorks se reúnem pra ajudar a inspirar a troll Poppy pra ela conseguir voltar a cantar. O final vira um festão com fogos de artifício e todo mundo levanta pra dançar.

E eu ainda perdi o Madagascar Circus Show (que parece ser muito legal) e o Acqua. E, não é necessariamente um show, mas quando você pega o trem na estação João Alves de Queiroz também tem um teatro, e esse eu fiquei bem triste de ter perdido porque quando fui pra fila, já era o meu último dia de parque, e eles já tinham fechado a atração.

Outra atração que não é um show, mas acho que cabe aqui é o Portal da Escuridão. É tipo aquelas "casas do terror" que tem vários cenários com atores te assustando. Eu nunca tinha ido em algo assim antes e achei bem divertido. Levei susto e deu aflição, mas foi divertido rs. Então não sei se sou a melhor pessoa pra dizer o quão boa é essa casa do terro específica. Mas achei as maquiagens muito bem feitas e os ambientes bem legais também. Tinha desde exorcismo até hospital abandonado. Essa também é uma atração paga a parte e fica R$25,00.



Comida e bebida
Eu não me planejei muito pra comer no parque, o que, no meu caso, deve ter sido até bom porque a praça de alimentação estava fechada e os restaurantes que estavam abertos eram os que ficam espalhados pelo parque, então nem me frustrei de não conseguir comer em algum lugar específico.

Tem restaurantes temáticos como uma hamburgueria de Nerf ou da Hot Wheels (da pra assistir o show da hamburgueria), tem lugar que faz cachorro quente, pastel e comida mexicana também. O que mais me marcou foi o almoço no Excalibur e a porção de nachos que pedi no Mexicano (o nome do restaurante é 'Mexicano' mesmo) que era enorme e estava uma delícia.

Mas, sem acesso à praça de alimentação, fiquei com a impressão de que só tem "comida de parque", não encontrei muita opção pra uma refeição mais tranquila (mais saudável rs) ou mesmo mais refinada. Mas acho legal que tem coisas bem brasileiras tipo o pastel de feira (que é anunciado assim mesmo, como "pastel de feira") e cachorro quente com um monte de coisa (porém, sem purê, pra tristeza dos paulistanos). Como muitas pessoas de fora do Brasil visitam o parque, imagino que isso deve ser interessante pra eles também.




O aplicativo
O Beto Carrero World tem um aplicativo próprio com o mapa do parque, informações sobre os serviços, banheiros, horário dos shows, tempo de fila dos brinquedos, etc. Mas o app ainda tem muito pra melhorar. O mapa não funciona como um Google Maps que mostra você se deslocando, ele só consegue mostrar onde você está e onde estão as atrações. Pra mim, que não tenho senso de direção nenhum, ele não foi muito útil. Acabei usando o próprio Google Maps em alguns momentos que tem a informação de várias das atrações no parque.

Acho que vale baixar, principalmente pra ver os horários dos shows e o tempo de espera das filas, mas só.

Coisinhas que incomodaram
Tiveram algumas coisas que não tem relação com o cuidado do parque que me incomodaram e que eu acho válido mencionar. Como o fato de que eles colocam o hino nacional pra tocar no início do dia, antes de liberar as atrações. A recomendação é levantar e se virar pra bandeira pra cantar o hino. Nem a Disney, que é o auge do orgulho estadunidense e tem trocentas bandeiras dos Estados Unidos espalhadas pelo parque, faz esse tipo de coisa. E a gente bem lembra que em 2022 teve promoção pros eleitores do Biroliro, e depois teve promoção pros eleitores do PT bem no dia do segundo turno pra evitar que as pessoas fossem votar... então você imagina a energia na hora do hino tocando. Um horror!

Além disso, durante O Sonho do Cowboy, tem alguns estereótipos bem ultrapassados que deixaram até difícil curtir o show (mesmo com a qualidade do elenco). Tem uma pessoa com nanismo que aparece no comecinho do show só com o intuito de provocar algumas risadas, tem índia branca e índio falando português errado (fiquei até na dúvida se eu deveria usar o termo correto, indígena, aqui ou não). Salvou um pouco com uma drag queen como dona do saloon na história. Mas sei lá, gente, da pra brincar com o tema de faroeste sem ofender ninguém sabe?

E, apesar dos cavalos que aparecem tanto no Excalibur quanto no Sonho do Cowboy serem belíssimos e muito bem treinados, fiquei pesando o quanto aquela quantidade de barulho deve incomodá-los.

Extra: os personagens da DreamWorks
Além de aparecerem no show de encerramento do dia e em alguns outros shows, os personagens da DreamWorks também ficam até as 15h se revezando na praça pra tirar foto com os visitantes. Eu tirei foto com o Mort de Madagascar e com o Gato de Botas. Mas também tem o Shrek e a Fiona, o Biscoito, o Rei Julian, os pinguins de Magascar, o Megament e o Metro Man... e eu acho que também tem o Alex e a Glória de Magascar, mas eu só os vi no show de encerramento.

Interação com personagem é um negócio sempre muito divertido! Perguntei pro Gato de Botas o que a gente deveria fazer pra nossa foto e saiu isso:


Resumindo muito, essa foi a minha experiência no parque. Eu recomendaria? Com certeza! Com algumas ressalvas pra você já chegar no parque sabendo o que esperar e essas coisas não atrapalharem a sua experiência. Mas foi MUITO divertido, tem brinquedos muito legais e os funcionários são super solícitos. Eu não sei se eu iria sozinha de novo, mas se algum amigo disser que tem vontade de ir e me chamar pra ir junto, eu provavelmente volto sim.

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