Se você como eu, é uma pessoa friorenta, mas mesmo assim quer muito ver neve em alguma das suas viagens, eu preciso te contar um negócio: é bom se planejar! Em dezembro de 2024 eu e minha irmã fomos pra Nova York e depois pra Montreal e Ottawa no Canadá. Compramos jaquetas, roupas térmicas, gorros, luvas e eu achei que a gente estivesse preparada, mas a verdade é que precisei aprender muita coisa sobre lidar com (muito) frio, lá na hora mesmo. Espero que, com esse post, você não precise descobrir essas coisas no susto como aconteceu comigo.
Roupas Térmicas
Nessa viagem eu peguei temperaturas de 5ºC até -12ºC e as roupas térmicas foram bem importantes e úteis. Saí de São Paulo com duas blusas, duas calças e três pares de meias térmicas e elas foram usadas quase todos os dias. Pra que essas peças térmicas consigam cumprir o seu papel, elas precisam estar em contato com a pele. Não adianta, por exemplo, botar uma brusinha normal e a blusa térmica por cima. A peça térmica precisa ser sempre a primeira coisa que você veste depois da calcinha e do sutiã (ou da cueca). Pode usar duas meias? Deve! Mas vista a térmica primeiro e a normal depois. A única peça que eu usei menos foi a blusa, mas depois de chegar no Canadá ela também virou obrigatória. É interessante já deixar um conjunto de roupas térmicas na mala de mão que vai com você no avião, assim você chega no aeroporto e já sai dele com as roupas térmicas por baixo de todo o resto que você estiver usando, porque, acredite, vai ser necessário. Compramos as nossas na Decathlon em São Paulo.
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| Um dos conjunto de roupas térmicas com calça, blusa e um par de meias. |
Gorros, Luvas e Cachecóis
Todos eles são importantíssimos! Aliás, se você já quiser levar um abafador de orelha também pra não precisar pagar U$10,00 em um, como foi o meu caso, é uma ótima ideia. Meus gorros mais basiquinhos deram conta do recado nesse caso, a minha preocupação era aquecer as orelhas então acabei usando mais o abafador que comprei em Nova York do que os gorros que eu levei de São Paulo. Mas imagino que pra temperaturas mais baixas, é interessante comprar gorros com forro e até usar a combinação de gorro mais abafador.
Sobre cachecóis eu me dei melhor com os que são mais largos, assim eu conseguia cobrir boa parte do rosto com eles. Esquece aqueles cachecóis de lã com pontos largos porque eles são bem furadinhos e não ajudam a segurar o vento e o frio. Eu levei um assim e foi útil, mas porque ele é bem comprido então eu conseguia dar duas voltas nele então ele ficava mais parrudo.
As luvas renderam toda uma saga a parte nessa viagem! Levei um par de luvas que tinha tecnologia touch no dedão e indicador, ou seja, dava pra usar o celular sem tirá-las, mas isso não foi nem um pouco útil porque elas eram muito fininhas. Eu acho que errei e comprei as que devem ser usadas por baixo de outras luvas maiores e potentes. Com isso, acabei comprando a primeira luva que eu vi na frente numa H&M, mas só tinha uma opção de tamanho e ficou muito grande pra mim. Com certeza era melhor dos que as que eu tinha levado, mas foi na terceira luva, que eu entendi que ela precisa estar justinha na sua mão e em contato direto com a pele, pra ela te esquentar de verdade. Comprei um par de luvas de lã com os dedos cortados, mas com um tipo de "capuz" pros dedos, que você pode escolher usar ou não, e pra quando você não estiver usando, tem um botão pra prender esse capuz e ele não ficar atrapalhando. Então as minhas mãos finalmente ficaram quentinhas e eu conseguia usar o celular com mais facilidade. Nessas de usar luvas capengas, tive queimadura de frio nas duas mãos. Dói menos e por menos do que queimadura de sol, mas a pele fica SEQUÍSSIMA e sensível por bastante tempo. Tive que hidratar bastante até as minhas mãos voltarem ao normal.
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| Da direita pra esquerda, a primeira luva, a segunda e a terceira que finalmente resolveu o frio nas minhas mãozinhas. |
Jaquetas
O negócio é levar com você as suas jaquetas mais quentes (não esquece das blusas de lã também). Em lojas como a Decathlon você encontra jaquetas com a indicação de até qual temperatura elas aguentam. Mas nessa viagem eu descobri que existe uma diferença entre casaco de frio e casaco de neve. Em Nova York levei os casacos mais quentes que eu já tinha e uma jaqueta que comprei na Decathlon que aguentava até -5ºC e deu tudo certo. Mas o máximo de neve que pegamos em Nova York foram três minutos de uma neve bem fininha que até deixou todo mundo na dúvida se era de verdade ou alguma loja rs.
No Canadá já chegamos com as cidades todas cobertas de neve, então a sensação térmica muda muito. Tivemos que pegar casacos de neve emprestados da amiga moradora de Montreal. Eles são bem mais pesados, forrados, tem capuz e são bem mais caros. Se você já sabe que quer investir em um, ele vai ser muito útil na sua viagem, mas se, como eu, você não ta nesse pique, descobri que existem algumas empresas de aluguel de roupas pra neve. Não vou indicar nenhuma porque pudemos contar com a ajuda das amigas e não precisamos desse serviço, mas ele pode ser muito útil.
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| Na ponte do Brooklyn com a jaqueta de -5ºC. |
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| No observatório de Montreal já com o casaco de neve emprestado. |
Calças
Se você estiver com a calça térmica por baixo, arrisco dizer que, pelo menos nas temperaturas que eu peguei, a calça de cima não faz tanta diferença assim. Com isso, eu quero dizer que pode ser, por exemplo, uma calça jeans e não uma calça levinha que você poderia usar como saída de praia. Mas calças de moletom e até leggings são melhores e ficam mais confortáveis, afinal você vai precisar de pelo menos duas calças todos os dias então esses tecidos te dão mais liberdade.
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| No Central Park com uma calça jeans por cima da calça térmica. |
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| Na Grand Central Station com calça de moletom. |
Sapatos
Eu e a minha irmã levamos dois pares de tênis e eles deram conta do recado, mas aprendemos alguns truques andando na neve. Prefira tênis que a maior parte deles seja feita de couro ou borracha, porque, se for só tecido, a umidade e o frio vão passar pro seu pé e aí já viu né? Mas não sentimos a necessidade de comprar botas de neve porque não ficamos andando tanto tempo assim na neve. E descobri que, pra tênis de couro, a neve até ajuda a dar uma limpadinha neles rs.
Skincare
Se você acha que skincare é um tema secundário quando se fala de viajar no frio, saiba que você está redondamente enganado! Qualquer pedaço de pele que fica exposta a uma temperatura muito baixa ou negativa sofre bastante. Eu levei hidratantes facial e labial que uso no dia a dia e eles certamente não foram suficientes, tanto em potência quanto em quantidade.
Seguindo as instruções da amiga moradora de Ottawa, comprei o hidratante labial da Aquaphor que encontrei bem fácil numa CVS. Ele é super macio e hidratou muito mais do que o outro que eu tinha levado. É importante sempre levar o hidratante labial com você pra ir reaplicando durante o dia conforme você sentir necessidade. A cada paradinha em um lugar fechado eu reaplicava porque os lábios ficam bem secos e doloridos durante o dia. Em Nova York consegui me virar com o hidratante facial que eu tinha levado mesmo, mas aplicando em quantidade e toda noite antes de dormir. Mesmo assim eu sentia a pele arder um pouco e, depois do banho o meu rosto ficava sempre MUITO seco. No Canadá, graças ao bom senhor, tive ajuda da amiga moradora de Montreal que é especialista em skin care e forneceu hidratantes específicos pro dia e pra noite.
É importantíssimo não esquecer do protetor solar no rosto todos os dias, estando nublado ou não! Você já vai expor a sua pele a bastante coisa e uma delas não precisa ser queimadura de sol. Aliás, se estiver sol e você for andar na neve, lembre que a neve reflete a luz do sol aumentando exponencialmente as chances de gerar uma queimadura de sol. Não vou te dizer especificamente quais produtos usar porque eu não sou especialista, mas saiba que é importante pesquisar e levar produtos potentes pra evitar essa sofrência toda. Além da skincare lembre também de beber bastante água pra manter o corpinho, como um todo, hidratado.
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| Zero maquiagem com a pele já começando a se recuperar. |
Em resumo, acho que esses foram os meus principais aprendizados viajando nas temperaturas mais baixas que eu já peguei na vida. É importante se preparar e, passear nesse frio todo, é mais complicado mesmo, mas realizar o sonho de ver a neve foi incrível e mágico. Tudo valeu a pena!













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