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segunda-feira

Responsabilidade Emocional - Uma Reflexão

Comecei a assistir Grey's Anatomy! Não sei bem o que me impedia de assistir antes (provavelmente o fato de estar na DÉCIMA QUINTA temporada), mas o fato é que comecei. E assistindo ao último episódio da segunda temporada, lembrei de como cultura pop no geral pode servir pra gente entender o mundo e as pessoas. Como eu sou um exemplo de ser humano que decidiu se enfiar no fandom depois de mais de uma década de série, sei que ainda tem muita gente que não assistiu então vou tentar não dar spoilers.

Tem uma personagem que claramente se importa muito com outra pessoa. Essa outra pessoa está passando por um momento absolutamente difícil e decisivo e precisa de todo apoio que ela puder ter, mas aí, em um momento, a primeira personagem só observa de longe essa pessoa com quem ela se importa sofrendo sozinha e depois se afasta. Eu revirei os olhos assistindo essa cena, pensei "ela tem que decidir se está do lado dele ou não!", mas com mais alguns minutos de episódio vi essa primeira personagem desabafar, aos prantos, que nunca tinha sentido tantas coisas até aquele momento, que ela sabia lidar com qualquer coisa, que sempre teve as respostas, mas que agora estava muito difícil decidir o que era a coisa certa e fazê-la.



Foi com essa cena, a do desabafo, que eu fui lembrada que ta todo mundo tentando! Pessoas más existem, mas, na maioria das vezes, ninguém é um gênio do mal! Ninguém (ou quase) faz coisas com a intenção de machucar as outras; se afastar, não responder uma mensagem, se aproximar demais, voltar depois de um tempo longe, mostrar que se importa, ter medo de mostrar que se importa... no geral, nada é feito pra traumatizar alguém ou pra reforçar algum trauma. E é importante lembrar disso! Mas isso não é o suficiente! Acho que a gente tem direito de ter medo, tem direito de não saber lidar com alguma situação e tem direito de ter tempo pra pensar em como a gente quer resolver os nossos problemas. Só que quando as nossas ações podem afetar outra pessoa (sendo essa outra pessoa importante pra gente ou não), é nossa responsabilidade se importar com isso!

Eu ia ficar elucubrando aqui, falando sobre a importância de lembrar que os sentimentos de todo mundo importa, mas isso pode ficar muito abstrato, ou soar muito clichê então vou tentar ser prática e usar exemplos. Uma situação que eu vejo acontecendo com muito mais frequência do que eu gostaria é a seguinte (vou tentar usar genderless names aqui, ok?): quando Lucimar está mais envolvido na relação do que Yvoti, Lucimar sofre, espera que Yvoti dê valor para os seus sentimentos, exige respeito. Mas quando Edilei está mais envolvido do que Lucimar, Lucimar se acha irresistível, "ah lá Edilei apaixonade por mim!", Lucimar se irrita porque Edilei continua procurando Lucimar mesmo depois dele tentar sumir sem dar satisfação. Ou seja, para Lucimar, seus sentimentos importam e devem ser respeitados, mas Edilei não pode exigir o mesmo tipo de consideração de Lucimar.


Responsabilidade emocional é, além de aceitar e respeitar o que nós mesmos estamos sentido, ter empatia com o outro, saber que do outro lado também existe uma pessoa com bagagem, com traumas, que está tentando seguir a vida da melhor maneira que pode. E, na boa? Isso é óbvio! Todo mundo sabe disso! Principalmente hoje que somos lembrados disso o tempo todo, quando você escolhe seguir a vida, sabendo que outra pessoa pode estar mal por causa das suas ações, é uma decisão consciente! Não estou dizendo que não podemos magoar ninguém, mesmo porque as vezes realmente não temos como dar pro outro o que ele precisa. Mas existem mil maneiras de deixar isso claro! Só o fato de falar pra outra pessoa "isso que você quer de mim, eu simplesmente não consigo te dar agora!" já mostra você sabe que o outro também sente e que esses sentimentos são válidos. Entende?

Vivemos em tempos difíceis, isso é inegável! A ansiedade é o mal do século, é doença moderna! E a gente sabe disso! Novamente, ta todo mundo tentando, a gente segue a vida na base da tentativa e erro. Por isso é importante tentar fazer, da maneira que der, com que os dias de todo mundo fiquem um pouco mais leves e isso começa na empatia.

As ilustrações nesse post são da Sara Herranz.

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