Depois de passar uma semaninha em Nova York em dezembro de 2024, eu entendi as pessoas que vão pra lá o tempo todo. É difícil mesmo sair de lá sem pensar em quando a gente vai poder voltar pra fazer o que não deu tempo. Hoje fico vendo os tiktoks feitos na cidade e suspirando de saudades das avenidas, museus, lojas e até da quantidade insana de pombos.
Pra continuar nessa nostalgia quero compartilhar aqui alguns pontos altos, e os mais baixos também, dessa viagem.
O que eu me arrependi de ter feito
Acho que nada viu? Tem coisas que eu achei meio caídas e provavelmente não faria de novo numa segunda ida à Nova York, mas, sendo a minha primeira vez lá, achei legal "dar check" nos principais pontos turísticos, comer pratos tradicionais da cidade, etc. Acho que primeiras vezes em destinos muito famosos servem pra isso mesmo.
O que eu já sabia que seria mais ou menos
Times Square - Assim... é um monte de propaganda né? A quantidade de telões em meio aos prédios é um negócio realmente impactante, mas no fim do dia é só um monte de anúncio, ou seja, nada que já não seja jogado na nossa cara em qualquer outro lugar. E é um lugar tão famoso e clássico de Nova York que, aparentemente, fica MUITO cheio o tempo todo. Eu e a minha irmã nem nos arriscamos a ir mais pro meio do povo pra tirar fotos melhores porque, mesmo o canto menos movimento, já é muito movimentado. Acho que tem que dar check? Se você não for que nem eu que fica meio ansiosa de não tirar da lista um lugar tão famoso, não precisa não.
O que eu já sabia que seria incrível
Central Park - Eu não tinha a ideia do tamanho do Central Park até começar a me planejar pra essa viagem. Ele é imenso e toma uma parte bem grande da ilha. Tanto que, dos 7 dias que passamos em Nova York, 3 tinham coisas programadas pra gente fazer lá. Começamos pelo lado menos turístico que começa na rua 110. Depois vimos a parte do meio, e por último, a parte mais turística que termina perto da rua 59. Todas elas valem a pena, não tenho nenhum arrependimento de voltar tantas vezes ao Central Park.
Mas os destaques pra mim foram o Conservatory Garden, The Pool, a estátua da Alice no País das Maravilhas, o Bethesda Terrace, a Bow Bridge, The Mall e a estátua do Balto.
Minha única observação é, se você for para a área chamada The Ramble, vá pela manhã porque é bem fácil se perder lá e você não vai querer estar perdida no meio do Central Park a noite.




Musicais da Broadway - Caso você não tenha muita noção do que é a Broadway, ela é uma das ruas mais famosas de Nova York, onde tem uma concentração enorme de teatros, por isso as peças e musicais mais famosos acontecem lá, nela e nas ruas mais próximas.
A gente saiu do Brasil já com o ingresso de Hamilton comprado, com um lugar na plateia escolhido com calma. Mas eu sabia que queria tentar aproveitar os "rush tickets" ou a loteria de ingressos pra tentar assistir mais um musical por um preço um pouco mais camarada. Aqui tem um vídeo explicando as táticas pra conseguir ingressos mais baratos. Depois de um dia de compras e bateção de perna pelo Brooklyn, decidimos arriscar e foi assim que conseguimos assistir Six também.
Eu AMO musicais então poder assistir à dois deles na Broadway foi um sonho realizado! A potência de ver o elenco performando ao vivo, sentir a vibração das músicas na poltrona e no chão... foi incrível demais. Eu poderia fazer um post inteiro só sobre essa experiência (e talvez eu faça).




Tour pelo Harlem - Caso você não saiba, eu danço Lindy Hop (atualmente eu danço de forma muito esporádica em eventos muito específicos, mas danço). O Lindy Hop é um estilo de dança que nasceu no Harlem, um dos bairros de Nova York, na década de 1920. É um bairro predominantemente negro que possui muita história e, por ser o berço do lindy, eu sabia que queria conhecê-lo.
Pra isso, fiz um tour a pé de mais ou menos duas horas e foi MUITO legal. Só participando desses tipos de tours que você percebe detalhes que contam história, como uma portinha que era por ela que os músicos negros tinham que entrar por que eram proibidos de usar a entrada principal do estabelecimento.
Aprendi muito com a guia que mora lá e ama a região. Ela andava cumprimentando um monte de gente, conseguiu 5 minutinhos de graça pra gente no museu do jazz, nos apresentou o prefeito (pelo o que eu entendi rs), indicou restaurantes e deu uma porrada de referências de filmes, séries e livros pra gente consumir. Foi demais!




Observatório Top of the Rock - Eu até fiquei um pouco na dúvida se o Top of the Rock deveria estar aqui ou na lista de coisas que surpreenderam, porque o negócio parece uma atração da Disney com pré show e tudo e, essa pompa toda, eu não estava esperando. Mas eu sabia que poder admirar Nova York de cima seria incrível!
É legal deixar pra fazer isso quando você já bateu perna pela cidade, porque aí você vai reconhecer algumas coisas quando estiver lá em cima; o Empire State Building, o Central Park, o rio Hudson... e eu achei sensacional fazer isso a noite, quando as luzes já estão todas acessas. Como a cidade é toda muito plana, da pra ver tudo de uma vez, sem elevações para tapar nada sabe? Sem exageros, o coração pulou algumas batidas quando eu coloquei o pé no observatório.
O que surpreendeu
Christmas/Winter Markets - Os Christmas Markets ou Winter Markets são feiras temporárias que acontecem pela cidade durante o inverno e, consequentemente, perto do Natal. Pelo o que entendi, eles normalmente ocupam uma praça ou um parque e tem lojinhas de roupas, artesanato, enfeites de Natal, acessórios, decoração pra casa e muita comida. Passeamos pelos markets do Bryant Park e da Union Square (e na segunda parte da viagem, que foi no Canadá, ainda fomos em mais um em Ottawa) e, honestamente, eu até teria ido em outros se tivéssemos mais tempo. O clima de Natal deles é uma DELÍCIA. Acho que só compramos comida neles, mas comprar um chocolate quente e andar pelas lojinhas, ver as pessoas no rinque de patinação, admirar as decorações e ouvir músicas de Natal é absolutamente suficiente pra aproveitá-los da melhor maneira.




Frances Tavern - A Frances Tavern é um bar que fica no mesmo lugar onde o Wahsington e seus brothers se reuniam na época da independência. Eu e a Nayra ficamos animadas pra ir lá, principalmente por conta de Hamilton (se você não sabe, é um musical sobre o Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos), mas é um lugar incrível independente da sua ligação com o musical. Além de ser uma construção histórica, o lugar é enorme e muito bem cuidado, tem vários ambientes diferentes (nós ficamos a maior parte do tempo no Piano Bar), drinks incríveis e comida deliciosa. Subindo as escadas do bar, eu me senti uma aventureira procurando uma estalagem pra passar a noite.




Museu da Broadway - Eu amo museus e amo musicais da Broadway então estava animada pra essa atração, mas mesmo assim o museu da Broadway me surpreendeu. Eles tem um acervo gigantesco de cenografia, figurino e pequenos tesouros como o espelho que o Jonathan Larson (autor de Rent e Tick, tick... boom!) usava no apartamento dele em Nova York. Todas as áreas são super bem decoradas e divididas por décadas, contando toda a história dos teatros, é uma viagem no tempo mesmo. Eu fiquei emocionada em muitos momentos. O passeio pelo museu termina em uma exposição sobre a parte mais técnica da coisa, mostrando os bastidores e tudo o que é necessário pra fazer os espetáculos acontecerem. E a loja deles é perfeita!




Gospel Brunch - Desde que descobri que essa categoria de brunch existia, eu decidi que tinha que ir em um. Pesquisando, descobri que o Gospel Brunch do Red Rooster do Harlem é um dos mais famosos então fomos nele. Eu estava morrendo de medo de não ser uma experiência legal porque era caro e eu estava arrastando a Nayra comigo. Mas bastou o coral entrar e cantar 3 segundos da primeira música, pra gente começar a chorar, emocionadíssimas. A energia deles é meio inexplicável, é uma coisa muito forte de comunidade e fé, não só em Deus, mas nas pessoas e no bem delas. Eu não tenho nenhuma religião, mas isso não me impediu de ficar tocada em celebrar aquele dia com eles. Foi lindo, lindo, lindo. E a comida estava ótima também.




Brooklyn Bridge - Como pode uma ponte me surpreender? Pois é, também não sei. Mas o fato é que colocamos a Brooklyn Bridge no roteiro por ser um lugar muito famoso e também porque a gente queria ir até o Brooklyn, então, por que não fazer isso a pé, através da ponte? E foi a melhor escolha que a gente poderia ter feito porque a ponte é belíssima! Não sei se demos sorte de atravessá-la num dia igualmente lindo de muito frio e sol, mas a construção e os arredores dela são de tirar o fôlego. Talvez seja o melhor lugar pra admirar o skyline de Nova York.




A receptividade das pessoas - A gente tinha acabado de chegar na cidade, estávamos com duas malas gigantes e fosforescentes (sério, era uma verde e outra laranja, as duas neon) e tentando entender como comprar a passagem do metrô. Do mais absoluto nada, uma moça pergunta se a gente é nova na cidade e explica que da pra pagar o metrô direto com a wallet do celular. Essa opção não ia funcionar pra gente então pedimos ajuda pra uma funcionária da estação... que saiu da cabine e foi com a gente até a máquina certa pra fazer a compra dos cartões e não saiu de lá até a nossa compra dar certo. Nos cafés, os cachorros eram uma ótima desculpa pra conversar com os locais que respondiam animados. Fizemos amizade com uma família de San Diego durante o Gospel Brunch e batemos papo com um casal no metrô porque eles ficaram curiosos de onde a gente era... e esses são só alguns exemplos. Sério, a gente não estava nem um pouco pronta pra receptividade das pessoas e isso foi uma surpresa muito gostosa.
O que não deu tempo de fazer
Ver a Times Square depois da meia noite - Diz a lenda que, a meia noite, todos os telões da Times Square param de exibir propagandas, pra exibir obras de arte. A gente queria muito ver, mas não sobrou energia pra estar em qualquer lugar que não fosse a nossa caminha de hotel a meia noite de qualquer dia.
Ir em um speakeasy / rolê de lindy hop - Eu achei um rolê que juntava os dois: um baile de Lindy Hop em um Speakeasy original da época da lei seca (eram bares escondidos porque bem... era contra a lei ter bares). Mas no dia nós estávamos absolutamente quebradas e não aguentávamos dar nem mais um passo, que dirá pegar um metrô e ir pra outro canto da cidade pra dar esse check.
Ir até a estátua da liberdade - Montando o roteiro pensamos "ai, não precisa né?". Mas quando estávamos lá, deu vontade. Ver a dona liberdade só de longe bem piquititinha não pareceu suficiente. Nós até tentamos pegar o tour pra ilha da estátua, mas já era final de tarde e não estavam mais saindo barcos pra lá.
Esse post ficou imenso mas, comparado a tudo o que a gente viveu e sentiu em Nova York é só um resumo mesmo. A cidade é apaixonante!
PS: pra quem quiser ver, nos meu Instagram tem três destaques com a viagem toda (incluindo a parte do Canadá).