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terça-feira

Sobre brincar e ser menina

Foto de Andrey K en Unsplash

Outro dia vi esse vídeo em que a Ana Terra pergunta pra homens e mulheres quais brincadeiras da infância eles trouxeram pra vida adulta e, pra surpresa de ninguém, todas as mulheres dizem não ter mais nenhuma brincadeira da sua infância na vida adulta, enquanto homens tem o vídeo game, o futebol, empinar pipa, etc. E não é de hoje que eu tenho feito essa reflexão provocada por outros conteúdos como esse.

Nessas reflexões, eu percebi que tem coisa que eu deixo de fazer, ou faço pouco, porque eu me sinto "brincando" e isso me da vergonha. Coisas como, fazer stories contando sobre algo que me da vontade, fazer um tiktok e até postar aqui. Aí eu dou uma diminuída nessas coisas, chamo esse blog de bloguinho, uma foto de look nos stories de lookinho... pra parecer que eu não me importo de verdade com essas coisas, mas eu me importo. Por que, pra mim, são coisas divertidas de fazer, que me trazem alegria mesmo, tanto, que eu sinto que estou brincando.

Aí, na despedida de solteira da Nayra, fizemos dois rolês antes de ir pra festa: uma hora em um Rage Room e meia hora em um Laser Tag, aqui tem um vídeo sobre a despedida, que foi incrível. Talvez o Rage Room mereça um post só dele porque foi sensacional em muitos níveis. Mas, na terapia eu fiz uma análise sobre o Laser Tag que eu queria compartilhar aqui. Contando pra minha terapeuta como foi, eu falei que foi engraçado porque a gente tava agindo muito por impulso ou instinto, se eu encontrava alguém em uma esquina eu só gritava e saia correndo tentando não levar tiros (e morrendo de rir, claro), e terminei com "a gente tava brincando mesmo, sabe?". Só essa reflexão já ficou na minha cabeça por muito tempo. E, depois de assistir ao vídeo da Ana, decidi tentar parar de diminuir essas coisas que eu gosto tanto de fazer e que, realmente me fazem bem.

Como mulheres, a gente encontra muita dificuldade de ser levada a sério, então é natural que, com o tempo, a gente busque mecanismos pra que isso aconteça com mais facilidade. E como basicamente qualquer coisa que seja considerado "de menina" é visto com maus olhos e até infantilizado, começar a rejeitar tudo isso parece, infelizmente, uma resposta orgânica pra gente. É impressionante pra mim que eu tenha feito esse tipo de reflexão só depois de mais de uma década de terapia.

O lançamento de Barbie em 2023 também foi um momento que me fez pensar muito sobre essas coisas. A gente combinar de ir de rosa assistir o filme foi motivo de chacota enquanto homem pode ir de Capitão América ver a estreia dos Avengers e todo mundo vai achar legal. E a gente sabe que o motivo se repete: rosa é coisa de menina. Desde essa época eu já venho tentando prestar atenção pra não reprimir mais as minhas "meninices", especialmente quando elas não são coisas impostas a mim, como usar maquiagem (que eu amo) ou ter coisas cor de rosa (que eu acho uma gracinha). E eu acho que brincar também devia ser permitido pra gente. Então acho que esse post é só um convite pra que você se junte a mim nessa tentativa de brincar mais no nosso dia a dia. Afinal de contas o que é um hobby se não, brincadeira de adulto?

quinta-feira

Como superar Nova York?

Depois de passar uma semaninha em Nova York em dezembro de 2024, eu entendi as pessoas que vão pra lá o tempo todo. É difícil mesmo sair de lá sem pensar em quando a gente vai poder voltar pra fazer o que não deu tempo. Hoje fico vendo os tiktoks feitos na cidade e suspirando de saudades das avenidas, museus, lojas e até da quantidade insana de pombos.

Pra continuar nessa nostalgia quero compartilhar aqui alguns pontos altos, e os mais baixos também, dessa viagem.


O que eu me arrependi de ter feito

Acho que nada viu? Tem coisas que eu achei meio caídas e provavelmente não faria de novo numa segunda ida à Nova York, mas, sendo a minha primeira vez lá, achei legal "dar check" nos principais pontos turísticos, comer pratos tradicionais da cidade, etc. Acho que primeiras vezes em destinos muito famosos servem pra isso mesmo.

O que eu já sabia que seria mais ou menos

Times Square - Assim... é um monte de propaganda né? A quantidade de telões em meio aos prédios é um negócio realmente impactante, mas no fim do dia é só um monte de anúncio, ou seja, nada que já não seja jogado na nossa cara em qualquer outro lugar. E é um lugar tão famoso e clássico de Nova York que, aparentemente, fica MUITO cheio o tempo todo. Eu e a minha irmã nem nos arriscamos a ir mais pro meio do povo pra tirar fotos melhores porque, mesmo o canto menos movimento, já é muito movimentado. Acho que tem que dar check? Se você não for que nem eu que fica meio ansiosa de não tirar da lista um lugar tão famoso, não precisa não.


O que eu já sabia que seria incrível

Central Park - Eu não tinha a ideia do tamanho do Central Park até começar a me planejar pra essa viagem. Ele é imenso e toma uma parte bem grande da ilha. Tanto que, dos 7 dias que passamos em Nova York, 3 tinham coisas programadas pra gente fazer lá. Começamos pelo lado menos turístico que começa na rua 110. Depois vimos a parte do meio, e por último, a parte mais turística que termina perto da rua 59. Todas elas valem a pena, não tenho nenhum arrependimento de voltar tantas vezes ao Central Park.
Mas os destaques pra mim foram o Conservatory Garden, The Pool, a estátua da Alice no País das Maravilhas, o Bethesda Terrace, a Bow Bridge, The Mall e a estátua do Balto.
Minha única observação é, se você for para a área chamada The Ramble, vá pela manhã porque é bem fácil se perder lá e você não vai querer estar perdida no meio do Central Park a noite.



Musicais da Broadway - Caso você não tenha muita noção do que é a Broadway, ela é uma das ruas mais famosas de Nova York, onde tem uma concentração enorme de teatros, por isso as peças e musicais mais famosos acontecem lá, nela e nas ruas mais próximas.
A gente saiu do Brasil já com o ingresso de Hamilton comprado, com um lugar na plateia escolhido com calma. Mas eu sabia que queria tentar aproveitar os "rush tickets" ou a loteria de ingressos pra tentar assistir mais um musical por um preço um pouco mais camarada. Aqui tem um vídeo explicando as táticas pra conseguir ingressos mais baratos. Depois de um dia de compras e bateção de perna pelo Brooklyn, decidimos arriscar e foi assim que conseguimos assistir Six também.
Eu AMO musicais então poder assistir à dois deles na Broadway foi um sonho realizado! A potência de ver o elenco performando ao vivo, sentir a vibração das músicas na poltrona e no chão... foi incrível demais. Eu poderia fazer um post inteiro só sobre essa experiência (e talvez eu faça).




Tour pelo Harlem - Caso você não saiba, eu danço Lindy Hop (atualmente eu danço de forma muito esporádica em eventos muito específicos, mas danço). O Lindy Hop é um estilo de dança que nasceu no Harlem, um dos bairros de Nova York, na década de 1920. É um bairro predominantemente negro que possui muita história e, por ser o berço do lindy, eu sabia que queria conhecê-lo.
Pra isso, fiz um tour a pé de mais ou menos duas horas e foi MUITO legal. Só participando desses tipos de tours que você percebe detalhes que contam história, como uma portinha que era por ela que os músicos negros tinham que entrar por que eram proibidos de usar a entrada principal do estabelecimento.
Aprendi muito com a guia que mora lá e ama a região. Ela andava cumprimentando um monte de gente, conseguiu 5 minutinhos de graça pra gente no museu do jazz, nos apresentou o prefeito (pelo o que eu entendi rs), indicou restaurantes e deu uma porrada de referências de filmes, séries e livros pra gente consumir. Foi demais!




Observatório Top of the Rock - Eu até fiquei um pouco na dúvida se o Top of the Rock deveria estar aqui ou na lista de coisas que surpreenderam, porque o negócio parece uma atração da Disney com pré show e tudo e, essa pompa toda, eu não estava esperando. Mas eu sabia que poder admirar Nova York de cima seria incrível!
É legal deixar pra fazer isso quando você já bateu perna pela cidade, porque aí você vai reconhecer algumas coisas quando estiver lá em cima; o Empire State Building, o Central Park, o rio Hudson... e eu achei sensacional fazer isso a noite, quando as luzes já estão todas acessas. Como a cidade é toda muito plana, da pra ver tudo de uma vez, sem elevações para tapar nada sabe? Sem exageros, o coração pulou algumas batidas quando eu coloquei o pé no observatório. 



O que surpreendeu

Christmas/Winter Markets - Os Christmas Markets ou Winter Markets são feiras temporárias que acontecem pela cidade durante o inverno e, consequentemente, perto do Natal. Pelo o que entendi, eles normalmente ocupam uma praça ou um parque e tem lojinhas de roupas, artesanato, enfeites de Natal, acessórios, decoração pra casa e muita comida. Passeamos pelos markets do Bryant Park e da Union Square (e na segunda parte da viagem, que foi no Canadá, ainda fomos em mais um em Ottawa) e, honestamente, eu até teria ido em outros se tivéssemos mais tempo. O clima de Natal deles é uma DELÍCIA. Acho que só compramos comida neles, mas comprar um chocolate quente e andar pelas lojinhas, ver as pessoas no rinque de patinação, admirar as decorações e ouvir músicas de Natal é absolutamente suficiente pra aproveitá-los da melhor maneira.



Frances Tavern - A Frances Tavern é um bar que fica no mesmo lugar onde o Wahsington e seus brothers se reuniam na época da independência. Eu e a Nayra ficamos animadas pra ir lá, principalmente por conta de Hamilton (se você não sabe, é um musical sobre o Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos), mas é um lugar incrível independente da sua ligação com o musical. Além de ser uma construção histórica, o lugar é enorme e muito bem cuidado, tem vários ambientes diferentes (nós ficamos a maior parte do tempo no Piano Bar), drinks incríveis e comida deliciosa. Subindo as escadas do bar, eu me senti uma aventureira procurando uma estalagem pra passar a noite.



Museu da Broadway - Eu amo museus e amo musicais da Broadway então estava animada pra essa atração, mas mesmo assim o museu da Broadway me surpreendeu. Eles tem um acervo gigantesco de cenografia, figurino e pequenos tesouros como o espelho que o Jonathan Larson (autor de Rent e Tick, tick... boom!) usava no apartamento dele em Nova York. Todas as áreas são super bem decoradas e divididas por décadas, contando toda a história dos teatros, é uma viagem no tempo mesmo. Eu fiquei emocionada em muitos momentos. O passeio pelo museu termina em uma exposição sobre a parte mais técnica da coisa, mostrando os bastidores e tudo o que é necessário pra fazer os espetáculos acontecerem. E a loja deles é perfeita!



Gospel Brunch - Desde que descobri que essa categoria de brunch existia, eu decidi que tinha que ir em um. Pesquisando, descobri que o Gospel Brunch do Red Rooster do Harlem é um dos mais famosos então fomos nele. Eu estava morrendo de medo de não ser uma experiência legal porque era caro e eu estava arrastando a Nayra comigo. Mas bastou o coral entrar e cantar 3 segundos da primeira música, pra gente começar a chorar, emocionadíssimas. A energia deles é meio inexplicável, é uma coisa muito forte de comunidade e fé, não só em Deus, mas nas pessoas e no bem delas. Eu não tenho nenhuma religião, mas isso não me impediu de ficar tocada em celebrar aquele dia com eles. Foi lindo, lindo, lindo. E a comida estava ótima também.



Brooklyn Bridge - Como pode uma ponte me surpreender? Pois é, também não sei. Mas o fato é que colocamos a Brooklyn Bridge no roteiro por ser um lugar muito famoso e também porque a gente queria ir até o Brooklyn, então, por que não fazer isso a pé, através da ponte? E foi a melhor escolha que a gente poderia ter feito porque a ponte é belíssima! Não sei se demos sorte de atravessá-la num dia igualmente lindo de muito frio e sol, mas a construção e os arredores dela são de tirar o fôlego. Talvez seja o melhor lugar pra admirar o skyline de Nova York.



A receptividade das pessoas - A gente tinha acabado de chegar na cidade, estávamos com duas malas gigantes e fosforescentes (sério, era uma verde e outra laranja, as duas neon) e tentando entender como comprar a passagem do metrô. Do mais absoluto nada, uma moça pergunta se a gente é nova na cidade e explica que da pra pagar o metrô direto com a wallet do celular. Essa opção não ia funcionar pra gente então pedimos ajuda pra uma funcionária da estação... que saiu da cabine e foi com a gente até a máquina certa pra fazer a compra dos cartões e não saiu de lá até a nossa compra dar certo. Nos cafés, os cachorros eram uma ótima desculpa pra conversar com os locais que respondiam animados. Fizemos amizade com uma família de San Diego durante o Gospel Brunch e batemos papo com um casal no metrô porque eles ficaram curiosos de onde a gente era... e esses são só alguns exemplos. Sério, a gente não estava nem um pouco pronta pra receptividade das pessoas e isso foi uma surpresa muito gostosa.

O que não deu tempo de fazer

Ver a Times Square depois da meia noite - Diz a lenda que, a meia noite, todos os telões da Times Square param de exibir propagandas, pra exibir obras de arte. A gente queria muito ver, mas não sobrou energia pra estar em qualquer lugar que não fosse a nossa caminha de hotel a meia noite de qualquer dia.

Ir em um speakeasy / rolê de lindy hop - Eu achei um rolê que juntava os dois: um baile de Lindy Hop em um Speakeasy original da época da lei seca (eram bares escondidos porque bem... era contra a lei ter bares). Mas no dia nós estávamos absolutamente quebradas e não aguentávamos dar nem mais um passo, que dirá pegar um metrô e ir pra outro canto da cidade pra dar esse check.

Ir até a estátua da liberdade - Montando o roteiro pensamos "ai, não precisa né?". Mas quando estávamos lá, deu vontade. Ver a dona liberdade só de longe bem piquititinha não pareceu suficiente. Nós até tentamos pegar o tour pra ilha da estátua, mas já era final de tarde e não estavam mais saindo barcos pra lá.

Esse post ficou imenso mas, comparado a tudo o que a gente viveu e sentiu em Nova York é só um resumo mesmo. A cidade é apaixonante! 

PS: pra quem quiser ver, nos meu Instagram tem três destaques com a viagem toda (incluindo a parte do Canadá).

segunda-feira

Aprendizados sobre viajar no frio

Se você como eu, é uma pessoa friorenta, mas mesmo assim quer muito ver neve em alguma das suas viagens, eu preciso te contar um negócio: é bom se planejar! Em dezembro de 2024 eu e minha irmã fomos pra Nova York e depois pra Montreal e Ottawa no Canadá. Compramos jaquetas, roupas térmicas, gorros, luvas e eu achei que a gente estivesse preparada, mas a verdade é que precisei aprender muita coisa sobre lidar com (muito) frio, lá na hora mesmo. Espero que, com esse post, você não precise descobrir essas coisas no susto como aconteceu comigo.


Roupas Térmicas
Nessa viagem eu peguei temperaturas de 5ºC até -12ºC e as roupas térmicas foram bem importantes e úteis. Saí de São Paulo com duas blusas, duas calças e três pares de meias térmicas e elas foram usadas quase todos os dias. Pra que essas peças térmicas consigam cumprir o seu papel, elas precisam estar em contato com a pele. Não adianta, por exemplo, botar uma brusinha normal e a blusa térmica por cima. A peça térmica precisa ser sempre a primeira coisa que você veste depois da calcinha e do sutiã (ou da cueca). Pode usar duas meias? Deve! Mas vista a térmica primeiro e a normal depois. A única peça que eu usei menos foi a blusa, mas depois de chegar no Canadá ela também virou obrigatória. É interessante já deixar um conjunto de roupas térmicas na mala de mão que vai com você no avião, assim você chega no aeroporto e já sai dele com as roupas térmicas por baixo de todo o resto que você estiver usando, porque, acredite, vai ser necessário. Compramos as nossas na Decathlon em São Paulo.

Um dos conjunto de roupas térmicas
com calça, blusa e um par de meias.

Gorros, Luvas e Cachecóis
Todos eles são importantíssimos! Aliás, se você já quiser levar um abafador de orelha também pra não precisar pagar U$10,00 em um, como foi o meu caso, é uma ótima ideia. Meus gorros mais basiquinhos deram conta do recado nesse caso, a minha preocupação era aquecer as orelhas então acabei usando mais o abafador que comprei em Nova York do que os gorros que eu levei de São Paulo. Mas imagino que pra temperaturas mais baixas, é interessante comprar gorros com forro e até usar a combinação de gorro mais abafador.



Sobre cachecóis eu me dei melhor com os que são mais largos, assim eu conseguia cobrir boa parte do rosto com eles. Esquece aqueles cachecóis de lã com pontos largos porque eles são bem furadinhos e não ajudam a segurar o vento e o frio. Eu levei um assim e foi útil, mas porque ele é bem comprido então eu conseguia dar duas voltas nele então ele ficava mais parrudo.



As luvas renderam toda uma saga a parte nessa viagem! Levei um par de luvas que tinha tecnologia touch no dedão e indicador, ou seja, dava pra usar o celular sem tirá-las, mas isso não foi nem um pouco útil porque elas eram muito fininhas. Eu acho que errei e comprei as que devem ser usadas por baixo de outras luvas maiores e potentes. Com isso, acabei comprando a primeira luva que eu vi na frente numa H&M, mas só tinha uma opção de tamanho e ficou muito grande pra mim. Com certeza era melhor dos que as que eu tinha levado, mas foi na terceira luva, que eu entendi que ela precisa estar justinha na sua mão e em contato direto com a pele, pra ela te esquentar de verdade. Comprei um par de luvas de lã com os dedos cortados, mas com um tipo de "capuz" pros dedos, que você pode escolher usar ou não, e pra quando você não estiver usando, tem um botão pra prender esse capuz e ele não ficar atrapalhando. Então as minhas mãos finalmente ficaram quentinhas e eu conseguia usar o celular com mais facilidade. Nessas de usar luvas capengas, tive queimadura de frio nas duas mãos. Dói menos e por menos do que queimadura de sol, mas a pele fica SEQUÍSSIMA e sensível por bastante tempo. Tive que hidratar bastante até as minhas mãos voltarem ao normal.

Da direita pra esquerda, a primeira luva, a segunda
e a terceira que finalmente resolveu o frio nas
minhas mãozinhas.

Jaquetas
O negócio é levar com você as suas jaquetas mais quentes (não esquece das blusas de lã também). Em lojas como a Decathlon você encontra jaquetas com a indicação de até qual temperatura elas aguentam. Mas nessa viagem eu descobri que existe uma diferença entre casaco de frio e casaco de neve. Em Nova York levei os casacos mais quentes que eu já tinha e uma jaqueta que comprei na Decathlon que aguentava até -5ºC e deu tudo certo. Mas o máximo de neve que pegamos em Nova York foram três minutos de uma neve bem fininha que até deixou todo mundo na dúvida se era de verdade ou alguma loja rs. 

No Canadá já chegamos com as cidades todas cobertas de neve, então a sensação térmica muda muito. Tivemos que pegar casacos de neve emprestados da amiga moradora de Montreal. Eles são bem mais pesados, forrados, tem capuz e são bem mais caros. Se você já sabe que quer investir em um, ele vai ser muito útil na sua viagem, mas se, como eu, você não ta nesse pique, descobri que existem algumas empresas de aluguel de roupas pra neve. Não vou indicar nenhuma porque pudemos contar com a ajuda das amigas e não precisamos desse serviço, mas ele pode ser muito útil.

Na ponte do Brooklyn
com a jaqueta de -5ºC.
No observatório de Montreal já
com o casaco de neve emprestado.


Calças
Se você estiver com a calça térmica por baixo, arrisco dizer que, pelo menos nas temperaturas que eu peguei, a calça de cima não faz tanta diferença assim. Com isso, eu quero dizer que pode ser, por exemplo, uma calça jeans e não uma calça levinha que você poderia usar como saída de praia. Mas calças de moletom e até leggings são melhores e ficam mais confortáveis, afinal você vai precisar de pelo menos duas calças todos os dias então esses tecidos te dão mais liberdade.

No Central Park com uma calça
jeans por cima da calça térmica.

Na Grand Central Station
com calça de moletom.

Sapatos
Eu e a minha irmã levamos dois pares de tênis e eles deram conta do recado, mas aprendemos alguns truques andando na neve. Prefira tênis que a maior parte deles seja feita de couro ou borracha, porque, se for só tecido, a umidade e o frio vão passar pro seu pé e aí já viu né? Mas não sentimos a necessidade de comprar botas de neve porque não ficamos andando tanto tempo assim na neve. E descobri que, pra tênis de couro, a neve até ajuda a dar uma limpadinha neles rs.



Skincare
Se você acha que skincare é um tema secundário quando se fala de viajar no frio, saiba que você está redondamente enganado! Qualquer pedaço de pele que fica exposta a uma temperatura muito baixa ou negativa sofre bastante. Eu levei hidratantes facial e labial que uso no dia a dia e eles certamente não foram suficientes, tanto em potência quanto em quantidade.

Seguindo as instruções da amiga moradora de Ottawa, comprei o hidratante labial da Aquaphor que encontrei bem fácil numa CVS. Ele é super macio e hidratou muito mais do que o outro que eu tinha levado. É importante sempre levar o hidratante labial com você pra ir reaplicando durante o dia conforme você sentir necessidade. A cada paradinha em um lugar fechado eu reaplicava porque os lábios ficam bem secos e doloridos durante o dia. Em Nova York consegui me virar com o hidratante facial que eu tinha levado mesmo, mas aplicando em quantidade e toda noite antes de dormir. Mesmo assim eu sentia a pele arder um pouco e, depois do banho o meu rosto ficava sempre MUITO seco. No Canadá, graças ao bom senhor, tive ajuda da amiga moradora de Montreal que é especialista em skin care e forneceu hidratantes específicos pro dia e pra noite.

É importantíssimo não esquecer do protetor solar no rosto todos os dias, estando nublado ou não! Você já vai expor a sua pele a bastante coisa e uma delas não precisa ser queimadura de sol. Aliás, se estiver sol e você for andar na neve, lembre que a neve reflete a luz do sol aumentando exponencialmente as chances de gerar uma queimadura de sol. Não vou te dizer especificamente quais produtos usar porque eu não sou especialista, mas saiba que é importante pesquisar e levar produtos potentes pra evitar essa sofrência toda. Além da skincare lembre também de beber bastante água pra manter o corpinho, como um todo, hidratado.

Zero maquiagem com a pele
já começando a se recuperar.

Em resumo, acho que esses foram os meus principais aprendizados viajando nas temperaturas mais baixas que eu já peguei na vida. É importante se preparar e, passear nesse frio todo, é mais complicado mesmo, mas realizar o sonho de ver a neve foi incrível e mágico. Tudo valeu a pena!